Cinema: Crítica – Solum (2019)

A sobrevivência de oito concorrentes é posta à prova quando descobrem que o reality show no qual se inscreveram é mais do que parece. Solum não é um simples programa de televisão. Numa aventura arriscada, os jogadores irão descobrir mais acerca de si mesmo e do futuro da Humanidade.

Realizado por Diogo Morgado e escrito em conjunto com o seu irmão, Pedro Morgado, é impossível não comparar este filme a uma das sagas juvenis mais populares da atualidade, Os Jogos da Fome. Dentro do mesmo registo, os jogadores irão descobrir que este programa é mais do que parece, tendo eventualmente um terceiro ato distinto da referência mencionada.

Ao entrarmos nesta luta pela sobrevivência, filmada nas ilhas açorianas, é dado aos jogadores um telemóvel com o qual podem fazer uma espécie de vlog em direto. Contudo, esta utilização torna-se cansativa após algumas repetições devido ao seu uso intensivo e à diferente técnica visual quando altera com uma câmara direcionada para cinema. Além disto, este telemóvel serve também para os concorrentes desistirem. Sarah (Maria Botelho Moniz) é a primeira a fazê-lo, mas morre misteriosamente. Entre várias personagens, Paul (Darwin Shaw) é o único consciente do verdadeiro objetivo de Solum, Liam (Carlos Carvalho) determinou-se a acabar com os restantes sobreviventes e Carol (Catarina Mira) começa a ter sonhos acerca de outro Mundo.

Todavia, o início lento do filme dificulta a nossa conexão com qualquer personagem em que só observamos a chegada a esta ilha misteriosa e uns vlogs aborrecidos dos concorrentes neste jogo. Somente após meia hora de filme é que começamos a ter um diálogo significado em que conhecemos a protagonista Carol, no entanto, nunca é dada muita informação acerca de ninguém, deixando-nos às cegas numa aventura visual em que é impossível sensibilizarmo-nos por algum concorrente.

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Observa-se assim uma constante tentativa de tornar tudo épico, sejam os diálogos, as lutas, ou os cenários, mas que falham completamente devido à narrativa básica e pouco criativa. A implementação do inglês no filme inteiro é eficiente devido a ser um programa com concorrentes do mundo inteiro, no entanto, as constantes falas e ações previsíveis e personagens sem qualquer personalidade tornam esta aventura altamente aborrecida em que 2/3 da mesma são elas a percorrem uma ilha, semelhante a um anúncio turístico.

É de facto admirável a música que integra este filme, mas que é ofuscada pelo argumento frustrante com uma clara filosofia de que os efeitos especiais são o suficiente para o redimir. Além disto, sem o fator emocional é impossível o espetador apreciar esta obra que possui um terceiro ato com uma mensagem importante a favor da Humanidade e Natureza. O futuro do planeta está em perigo e está nas nossas mãos preservá-lo.

Em suma, Solum tenta criar um épico português numa ilha visualmente magnífica, mas que não atinge o objetivo devido a dificuldades técnicas e ao argumento com personagens insignificantes e previsíveis.

  • Solum estreia a 1 de maio nos cinemas.

3/10

Tiago Ferreira

Assistam ao trailer abaixo:

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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