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Cinema: Crítica – #SemSaída (2020)

Vindo da eterna saga do cinema de terror pós-moderno, onde a Internet e as redes sociais têm que, de alguma forma, ser o centro da tecnologia utilizada para causar medo, vem #SemSaída (com hashtag incluído e tudo), escrito e realizado por Will Wernick.

O filme conta a história de Cole (Keegan Allen), um pseudo-YouTuber que irá celebrar o seu 10º aniversário de carreira com uma surpresa numa viagem que o leva até à Rússia. Com ele está os seus amigos Erin (Holland Roden), Dash (George Janko), Thomas (Denzel Whitaker) e Sam (Siya), que o levam até um escape room, o que esperam ser uma das experiências mais únicas de sempre, uma promessa que Cole nunca irá esquecer.

Ignorando o facto que Wernick realizou um filme sobre um escape room em 2017 – titulado Escape Room e não confundir com o Escape Room de 2019, este realizado por Adam Robitel – é de estranhar que volte a bater na mesma tecla, num ambiente demasiado semelhante para ser coincidência. Ou afinal, Wernick está numa missão de adaptar para cinema as inúmeras experiências proporcionadas pelos escape rooms do mundo. Mas muito disto não bate certo.

A dada altura, um dos grunhos russos diz aos nossos amigos “por mais verdadeiro que possa parecer, vocês estão em segurança”, como se uma frase tão dramática não fizesse soar alarmes na cabeça de qualquer um. Levando isto e junta-se uma ingenuidade estúpida, quase estereotipada, de um certo tipo de YouTuber que tanto amamos odiar; e, na verdade, Cole é mesmo muito estúpido. Ou pelo menos assim o aparenta, pela forma que navega pelos puzzles mortais.

Mesmo quando o filme tenta impressionar com as suas reviravoltas óbvias, o facto de nem sequer se esforçar a fazer algo minimamente original é desapontante, ao ponto de quase gritar “plágio” a cada 5 minutos.

SAW e Hostel ficariam muito tristes ao verem o que as suas obras acabaram por inspirar, com #SemSaída a roubar descaradamente do mesmo género de filmes que deseja homenagear ou sequer mostrar influência. Até SAW, que acabou por criar todo um universo de sequelas, descaindo para um contexto nonsense do cinema comercial, mantém a sua integridade com a sua coerência e capacidade de reconhecer que não basta só fazer número. De alguma forma, nem a Blumhouse tocaria neste filme, nem com um pau de 5 metros.

E nós já vimos a Blumhouse a fazer coisas muito más. Minimamente toleráveis. Mas más…

Nota Final: 1/10

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