Cinema: Crítica – Selvagens (2018)

Dennis Berry tem um currículo vasto no cargo de realizador, com vários episódios da clássica série Highlander – Os Imortais, um dos franchises mais subvalorizados do anos ’90; à mini-série baseada na vida de Mata Hari, lançada no inicio de 2017. Desta vez o realizador norte-americano envereda por um caminho algo diferente, em Selvagens.

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Produzido pelo português Paulo Branco, Selvagens conta a história de Nora (Nadia Tereszkiewicz), uma rapariga francesa, perdida à espera de Léa (Catarina Wallenstein), artista neo-punk e fã, que lhe enviou cartas enquanto estava na prisão. Quando as duas se conhecem, nada poderia prever o choque emocional, criando uma relação de amor e inspiração permanente entre elas, mudando as suas vidas para sempre.

Com uma narrativa contada de forma mais artística e poética, segmentado pelos sentimentos amorosos e platónicos entre Nora e Léa, acompanhamos duas jovens que alimentam as energias uma da outra, onde Berry, limitando o espaço a apenas a uma casa e pouco mais arredor, cria uma sensação de isolamento que deixa-nos focar no drama e nas suas consequências.

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É intrigante como também o baixo número de personagens que conhecemos, ao qual se juntam os rapazes Nino (João Nunes Monteiro) e Léo (Hugo Fernandes), estamos perante uma história baseada nos sentidos humanos e as complicadas relações entre eles, culminando num filme que por vezes se mostra inconsistente em função daquilo que quer provocar ao espectador. Tudo acaba por ter nuances das suas clássicas influências, remetentes do cinema francês dos anos ’60, com o natural toque moderno, onde existem alguns visuais curiosos.

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Por outro lado, existem alguns factores que deixa o filme sem charme, sobretudo durante momentos mais musicais, que podiam ser encurtados. Da mesma forma temos um filme que se deixa levar pelas suas emoções e, consequentemente, impulsos constrangedores. Selvagens acaba por criar distância com o espectador, causando frieza. Propositado ou não, não deixamos de sentir que essa seja uma distância de segurança, reduzindo o investimento emocional para com as personagens.

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No final, os visuais não conseguem ser suficientes para dar vida a este amor que quer mostrar a ousadia em encontrar uma alma gémea, deixando para trás uma história que não se consegue construir nas suas decisões, levando-se de corpo e alma mais além do que gostaríamos de ver. Ainda que Catarina Wallenstein e Nadia Tereszkiewicz façam um par que reflecte nos sentimentos que têm uma pela outra.

O resto, fica aquém daquilo que merece.

Nota Final: 4/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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