Cinema: Crítica – Scare Me (2020)

Josh Ruben é um homem com um currículo extenso, mais reconhecido pelo seu trabalho no popular site de comédia CollegeHumor.com, tendo enveredado por outros caminhos. Talvez um dos menos esperados era que escrevesse, realizasse e protagonizasse um filme da produção Shudder, a plataforma de streaming de terror (que ainda não chegou a Portugal!) com Scare Me, um filme muito, muito, curioso.

Fred (Ruben) é um argumentista que viaja até a uma cabana na floresta, em busca de paz para escrever o seu novo filme, sobre lobisomens. Lá, ele encontra Fanny (Aya Cash), uma famosa novelista, recentemente tornada uma autora best-seller com o a imprensa diz ser “o melhor livro de terror de sempre”: Durante uma queda de energia à noite, Fanny vai até casa de Fred para jogarem um jogo: Scare Me; onde terão que contar histórias assustadoras um ao outro.

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Olhando para além da premissa simples de Scare Me, apercebemos-nos o quão trabalhado este exercício de acting é feito em frente dos nossos olhos, onde durante quase duas horas, somos levados pela imaginação destes contadores de histórias, como se de um acampamento se tratasse. Há igualmente uma questão de pensarmos quanto disto é improvisado, e é fácil de imaginar que uma boa parte dele foi pensado na hora, surgindo organicamente.

Longe de ser um filme tradicional, esta é uma obra que, mais que tudo, serve para demonstrar as capacidades criativas de Ruben, como também de Cash, que encaram as suas personagens com muita convicção, às vezes demasiada; provando que as nuances e os pequenos detalhes, como as vozes, os efeitos sonoros e, de vez em quando, os efeitos visuais, podem captar e manter a atenção de quem vê. Estes são, de longe, os aspectos mais divertidos do filme, onde cada ideia ganha uma vida onde é fácil nos deixarmos levar.

  "Welcome to the Blumhouse" em Outubro no Prime Video

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Scare Me não aborrece, apesar do seu conceito aparentemente simples, mas as suas quebras entre histórias são talvez a parte menos interessante do filme, que tentam ocupar o tempo até ao próximo conto, que podem contar com uma diversão que não irão encontrar noutros filmes do género. Talvez muitos irão considerar, não só a estrutura, mas também as decisões artísticas do filme como demasiado básicas para o efeito; enquanto outros irão encontrar uma obra com muita personalidade, pela sua abordagem ousada.

No fim, Scare Me é um filme com muito entretenimento, com uma batalha divertida entre duas pessoas altamente criativas, cujo único objectivo é divertir e assustar um pouco, prezado com uma ideia minimamente original e cheia de alma.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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