Cinema: Crítica – Polar (2019 Netflix)

No inicio de 2012, o espanhol Víctor Santos lançou ao mundo o que seria o primeiro passo na sua mais recente obra: Polar, um webcomic inspirado no estilo noir e focado nos visuais, e no pouco ou mesmo ausência de texto. O grande sucesso entre os internautas levou a que a Dark Horse Comics lançasse em livros, as colectâneas das histórias, e com a Netflix a fazer uma adaptação cinematográfica em imagem real, realizado por Jonas Åkerlund.

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Em Polar, acompanhamos a vida de Duncan “The Black Kaiser” Vizla (Mads Mikkelsen), um dos últimos grandes assassinos a contrato, que por acordo com a organização com que trabalha, é forçado a reformar-se aos 50 anos de idade. Vizla esperava viver uma vida pacata, mas é perseguido numa acção de ganância por Blut (Matt Luca), o líder da organização, que caso seja morto antes da sua reforma, os mesmos recebem a sua pensão no valor de 8 milhões de dólares. Uma ideia rebuscada, sobretudo quando consideramos todos os recursos envolvidos em fazer algo do género.

Neste filme, altamente estilizado, existe uma relativa concordância entre o material original e a adaptação, onde todas as personagens tendem ser eclécticas. O humor negro tem uma presença algo bizarra, sobretudo na forma que Åkerlund mostra as personagens, sendo elas talentosas o suficiente para matar a sangue frio, mas não ao ponto de pensarem um pouco num plano para encontrar Duncan ou como vão matar um dos melhores assassinos existentes. É este ligeiro abuso da caricatura que deixa grande parte de Polar cair por terra, falhando constantemente no alvo.

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As comparações com o filme-sensação John Wick, ou Atomic Blonde – Agente Especial, este último também uma adaptação de uma novela gráfica; não são de todo descabidas, já que as diversas cenas de acção remetem para tiros certeiros e lutas altamente bem coreografadas. No entanto, todo este estilo não assenta tão bem quando remetem para obras mais selvagens, como Crank – Veneno no Sangue ou Jogo, do duo Neveldine/Taylor, automaticamente metendo-o na categoria de filme de série-B.

Pelo meio, Vanessa Hudgens tem um sub-plot discreto, no papel de Camille, vizinha de Duncan. A mesma acompanha uma boa parte do filme, mas nunca se esforça para se manter relevante, o que faz parecer que esta linha da narrativa seja forçada, sendo apenas uma razão pouco convicente para motivar o protagonista. Não adicionando muito à narrativa, é fácil perdê-mo-la de vista e questionar o que realmente está ali a fazer.

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A divisão dos vários actos são claramente tracejados pela duração deste filme, podendo prever o caminho que acaba por tomar, apenas perdendo pela demora nas várias cenas de lutas e tiroteios, que apesar de tudo, são mais entusiasmantes do que o esperado.

Assim, podemos adicionar Polar à relativa curta lista de filmes baseados em banda desenhada, fora do universo dos super-heróis, onde existem tantas consequências como leis da física aplicadas e nem sequer as autoridades fazem parte deste faroeste moderno.

Nota Final: 6/10

  • Polar está disponível no Netflix a 25 de Janeiro.

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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