Cinema: Crítica – Pokémon Detetive Pikachu

O mundo Pokémon precisa de um detetive à altura!

Tim (Justice Smith) era um rapaz normal, nascido numa pequena vila rodeada de florestas. Ele passou a infância a interagir com os Pokémon das redondezas, com o mesmo objetivo que todas as outras crianças, tornar-se o melhor treinador de Pokémon de sempre, mais que perfeito e maior do que a imaginação.

Com o passar do tempo algo mudou em Tim, o seu interesse em Pokémon tornou-se numa espécie de ressentimento. Após o presumido falecimento do seu pai, é lhe pedido que viaje para a utópica metrópole de Ryme City para fechar quaisquer assuntos pendentes, metrópole esta onde os Pokémon e os humanos vivem em harmonia e liberdade. Não há mestres nem pokébolas, mas sim parceiros. No entanto nem tudo é o que aparenta, ou pelo menos foi isso que o Pikachu falante (Ryan Reinolds) lhe disse.

Baseado no jogo do mesmo nome, Detetive Pikachu traz-nos uma aventura sobre amizade, camaradagem e família com um mistério complexo e a ação fenomenal à qual a franquia Pokémon nos tem vindo a habituar, seja com a série televisiva ou com os videojogos.

Não há como contornar, 20 anos depois do sucesso global, Detetive Pikachu tem o potencial para concretizar os sonhos e cativar a imaginação dos públicos que cresceram com a franquia. Em todos os planos vemos um novo aspeto do mundo Pokémon, seja um Octillery a preparar takoyakis, uma trupe de Aipom aos pulos pelos telhados, uma ninhada de Pancham a brincar com um Pangoro aborrecido ou um esquadrão de Squirtle a dar uma entrevista. Todos os favoritos, quer dos mais velhos como dos mais novos, aparecem, e os que ficam de fora abrem-nos o apetite para mais filmes da franquia.

  Johnson, Reynolds e Gadot em novo filme da Netflix

Com isso assente há que frisar que a longa-metragem não é desprovida de falhas, e uma das mais flagrantes é o desempenho de Kathryn Newton como a jovem repórter Lucy. Não sei se será um defeito do argumento mas, entre o resto do elenco e num ambiente tão vibrante e cheio de criaturas imaginárias, o trabalho da jovem atriz acaba por sobressair pelas piores razões, principalmente nos seus primeiros diálogos. Pelo filme fora vemos ambas Lucy e Newton a assumir uma postura mais competente e interessante, mas não há impressões como as primeiras.

De resto não há muito que possa apontar, não é de forma alguma o suprassumo da tecnologia audiovisual, mas o realizador, Rob Letterman, e a equipa de pós-produção conseguiram unir os Pokémon ao seu ambiente. Embora não seja a melhor história de sempre, acredito que as aventuras de Tim e  de Pikachu vão cativar os espetadores, tanto pelos momentos que proporcionam como pelo espetáculo visual.

E por falar nesta dupla, o Detetive titular faz jus ao estatuto de mascote, é adorável, divertido e interessante. Tim não lhe fica atrás, a sua faceta sisuda e focada é um bom contraste para o espirituoso Pikachu. Se fossem um duo de comédia, Pikachu seria o comediante própriamente dito e Tim o Homem sério, o alvo fácil, tal é a qualidade de ambos os protagonistas e das suas interações.

Uma divertidíssima viagem ao mundo Pokémon, acompanhados pelo melhor e mais fofo detetive de sempre.

8/10

-Henrique V.Correia

Henrique Correia

Jovem dos 7 ofícios com uma paixão enorme por tudo o que lhe ocupe tempo. Jedi aos fins-de-semana!

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *