Cinema: Crítica – Pássaros Amarelos (2018)

Quando em 2013 Alexandre Moors nos mostro o lado mais cruel dos ataques do atirador de Beltway, em Blue Caprice, o mundo ficou boquiaberto pela forma como as suas personagens eram encaradas num dos momentos mais aterrorizadores da América.

Moors regressa agora com um retrato da Guerra do Iraque, com Pássaros Amarelos, onde conhecemos Brandon Bartle (Alden Ehrenreich) e Daniel Murphy (Tye Sheridan), dois rapazes com vidas diferentes que passam a estar ligados por uma causa: defender a pátria sob o comando do sargento Sterling (Jack Huston). A certo dia, Murphy é dado como desaparecido e Bartle e Sterling são enviados para casa, ao qual são investigados pelo capitão Anderson (Jason Patric), que busca a verdade que ambos escondem.

Entretanto, vamos acompanhando a vida destas personagens em três fases diferentes, antes, durante e depois da sua missão, onde passam por situações de combate com frequência. Todos os dias são um risco, mas cabe aos dois olharem um pelo outro. Este valor da amizade acaba por ser o fusível para uma história que demonstra o lado mais real da guerra fora do combate dos terroristas, que vão desde de problemas da saúde metal no local ou regresso a casa à dificuldade de comunicação com aqueles que são a sua família no terreno.

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Envolto de algum mistério, a narrativa vai revelando os acontecimentos chocantes por detrás do desaparecimento de Murphy, levando-nos a uma viagem muito pessoal daqueles que sabem todos os factos e acabarão por ser revelações que mudarão vidas.

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Moors é especialista em dar um certo peso às suas cenas, inclinando mais para o lado negro das história que conta. É com esse mesmo peso que Pássaros Amarelos foca na personalidade das suas personagens e como reagem perante uma situação complicada. No entanto, não mostra nada que já não tenhamos visto no género, deixando de lado algumas emoções que poderiam ter beneficiado o filme. Sendo este apenas o segundo filme de Moors, a tentativa de recriar o sucesso do seu filme anterior poderia ter corrido melhor.

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Enquanto que Ehrenreich e Sheridan mostram um registo muito diferente dos grandes blockbusters que protagonizaram este ano, nomeadamente Han Solo: Uma História Star Wars e Ready Player One: Jogador 1, todo o elenco secundário é composto por caras conhecidas, como Toni Collette e Jennifer Aniston a encararem o papel das suas mães, oferecendo um sentimento mais familiar ao filme.

Assim, Pássaros Amarelos acaba por ser mais um de muitos filmes de guerra, com algumas diferenças menores e uma trama que, apesar de puxar interesse, infelizmente não o consegue mantê-lo durante muito tempo.

  • Pássaros Amarelos estreia a 11 de outubro 2018 nos cinemas.

Nota Final: 5/10

Ricardo du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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