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Cinema: Crítica – Panamá (2022)

Mark Nevaldine, um dos realizadores da dupla Nevaldine/Taylor, há muito considerados como uma das duplas mais inovadoras no cinema, com as suas técnicas ousadas de filmagem, e um abordagem DIY na produção, vê a sua carreira a ser reduzida a filmes de Domingo à tarde, com um público-alvo de homens maiores de 50. Pelo menos é a impressão que fica com a estreia do seu mais recente filme, Panamá.

Alegadamente inspirado por eventos reais, Becker (Cole Hauser) é um operativo militar que é convidado pelo seu velho amigo Stark (Mel Gibson) para ir até ao Panamá completar um negócio de armas. No processo, este vê-se no meio da invasão militar norte-americana, que arrisca estragar tudo para todos os envolvidos.

Como o não-tão-fantástico cliché de filmes de acção que existem meramente para dar algum trabalho a actores e equipa técnica, que naturalmente têm contas para pagar, é importante referir que este filme não merece de perto a sua duração de pouco mais de hora e meia.

A narrativa é descabida, focado num homem altamente quebrado, cujo propósito apenas existe para ser um protagonista minimamente credível. Hauser é um actor visto há quase três décadas no cinema, em papéis diversos, mas mais recentemente tem feito sucesso na série Yellowstone, uma grande produção televisiva de qualidade muito superior a este filme. Da mesma forma que Mel Gibson já não é bem o actor que era outrora, a sua presença funciona quase como um selo de desaprovação.

Um dos elementos importantes num filme de acção, é efectivamente, a acção. Ora, nos poucos momentos em que existe, a mesma é aborrecida, sem qualquer tipo de entusiasmo. Ás vezes ainda rezamos que algo de terrível aconteça a este super-homem, mas por motivos que ainda não se compreende, este recebe não uma, mas duas cenas de sexo completamente frias e desnecessárias, que em nada contribuem para o grande esquema das coisas. Nem isso conseguiram acertar.

Não se sabe bem a razão da existência de Panamá. É assumidamente um filme que não quer a grandeza de uma obra como Argo; mas também não faz o mínimo dos mínimos para ser qualquer coisa que dê vontade ao espectador para ficar até ao fim, perdendo-se no meio da sua própria misoginia e má interpretação dos eventos que usa com orgulho como inspiração. É uma experiência que não traz absolutamente nada para ninguém, fora efectivamente ser um filme que deu emprego a pessoas.

Nota Final: 1/10

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