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Cinema: Crítica – Operação Fortune: Missão Mortífera

Guy Ritche tem tido uma reviravolta na sua carreira nos últimos anos. Melhor, desde da sua abordagem surpreendentemente bizzara em Aladdin em 2019, estreou pouco tempo depois um dos seus melhores filmes, The Gentlemen: Senhores do Crime, uma obra que o viu, de certo modo, regressar ás suas origens, com muitas personagens carismáticas interligadas numa curiosa narrativa. À medida que os espectadores iam aos poucos regressando ás salas, Um Homem Furioso trouxe-nos um bom motivo para estar de máscara na sala de cinema, e tudo parecia estar no bom caminho para o realizador britânico. Isto até Operação Fortune: Missão Mortífera.

Operação Fortune: Missão Mortífera

Originalmente planeado para estrear no inicio de 2022, o filme foi rapidamente retirado de cena assim que abriu a guerra na Ucrânia, pelo simples motivo de um conjunto dos maus da fita serem de nacionalidade ucraniana. É um detalhe que na altura defendeu ser de pouca relevância, mas o timing não podia ser pior, forçando assim um adiamento até 2023, onde podemos finalmente ver o filme de acção e comédia no grande ecrã.

O agente especial Orson Fortune (Jason Statham) é posto à prova com a sua nova equipa, constituída pela mulher maravilha da tecnologia Sarah Fidel (Aubrey Plaza) e JJ Davies (Bugzy Malone), para se infiltrarem junto a Grag Simmonds (Hugh Grant), um traficante de armas que está a vender uma arma misteriosa por 10 mil milhões. Para isso, recrutam os talentos do actor Danny Francesco (Josh Harnett), o seu actor favorito; para perceberem o que está em risco e impedir que a venda seja feita, seja por que meios forem.

Este filme cementa oficialmente a terceira era de Ritchie, uma onde a sua inspiração mais britânica é aplicada num contexto mais Americano, sem perder grande parte da sua essência, pelo contrário, permite-lhe explorar outras vias daquilo que o realizador mais gosta de incluir nos seus argumentos: acção sem escrúpulos e comédia tanto seca quanto as terras de sua majestade. Neste caso, o mesmo assume a britannia no meio da americana toda, pressupondo que este já nem quer saber se vale a pena investir neste equilíbrio entre as duas nações no seu filme; e ainda bem, porque esta liberdade é para melhor.

Enquanto que acaba por não estar incluído na lista das suas obras mais memoráveis, o mesmo não baixa a qualidade, oferecendo um filme repleto de momentos emocionantes, como de rir ás gargalhadas, tudo ao seu esperado bom estilo. É díficil a esta altura repetir o feito de The Gentlemen, e evitar qualquer tentativa acaba por beneficiar não só a narrativa presente como os actores do elenco.

Operação Fortune: Missão Mortífera

Se ir buscar Josh Harnett, um actor extremamente popular no inicio do novo milénio que tem encontrado uma espécie de revivalismo nestes últimos anos, resulta numa performance igualmente cómica de quando contracenou com Harrison Ford em Homicídio em Hollywood; Aubrey Plaza mostra-se, finalmente, cada vez mais versátil em papéis onde consegue mostrar o seu talento para além da sua faceta sarcástica, ainda que aqui num tom mais suave. Naturalmente Jason Statham continua a sua jornada como o homem-forte britânico mais confiável na face do planeta, e Hugh Grant aos 62 anos parece estar a gostar da sua era vilã, ao fim de tantos anos a ser a pessoa mais bondosa na sala.

Assim, Operação Fortune: Missão Mortífera são uma demonstração em como um cineasta reconhecido é capaz de estrear um filme de forma consistente, sem grande perda de qualidade, mesmo que o mesmo não saia por inteiro fora da sua zona de conforto. Neste caso, a inovação é mostrada de forma mais discreta, com um resultado final bastante satisfatório.

Nota Final: 7/10

 

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