Cinema: Crítica – O Segredo do Refúgio (2020)

Dave Franco, o mais novo dos três Franco’s, estreia-se pela primeira vez na cadeira de realizador com O Segredo do Refúgio, um filme que aparenta ser de terror mas que contém muito pouco do género.

Charlie (Dan Stevens) e Mina (Sheila Vand), são amigos e colegas de trabalho que convencem as suas caras metades, Michelle (Alison Brie) e Josh (Jeremy Allen White), a passar um fim-de-semana numa luxuosa casa com uma vista incrível mas no meio do nada. O que eles não sabem, é que este será o pior fim-de-semana das suas vidas.

Descrever O Segredo do Refúgio como um filme de terror é inexacto, por diversos motivos. O terror por si é quase inexistente, algo estranho numa película que não chega a hora e meia. Ainda mais estranho é tomar o seu tempo até que as coisas comecem a ficar interessantes, deixando-nos ansiosos com a antecipação de eventos que acontecem demasiado tarde para que queiramos saber. E, quando acontecem, tendem a ser confusos, sem qualquer motivo aparente ou explicação para o que estamos a ver. É na frustração e da má gestão de expectativas que o filme cria um sabor agridoce na boca.

Felizmente, o elenco reduzido, mas forte, demonstra uma qualidade insuperável, ainda mais quando nos apercebemos que três dos quatro actores principais já tiveram contacto com o cinema de terror moderno, com Stevens em The Guest, Brie em Horse Girl e Vand no incrível Uma Rapariga Regressa de Noite Sozinha a Casa; oferecendo uma experiência de tensão ocasional que acontece de uma forma minimamente orgânica e aceitável, pelo menos até as coisas descambarem de um drama familiar para um slasher.

O trabalho de Franco é também ele de uma qualidade superior, com a câmara  frequentemente em “cima dos actores”, num registo muito pessoal e invasivo, o que também contribuí para alguma da claustrofobia causada pelo desconhecido. A mudança súbita e notável da banda sonora também ajuda. Na verdade, as influências de Franco demonstram um cineasta apreciador do terror, mas com alguns problemas em executar uma narrativa suficientemente consistente para se qualificar como um filme do género, algo que certamente merece ser revisto nos seus projectos futuros.

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Com isto, O Segredo do Refúgio, é um filme que gostava de ser mais assustador, com um excelente conjunto de actores que carregam os pecados inegáveis de um argumento que necessitava de mais de trabalho, e um plano mais entusiasmante para nos cortar a respiração. Ainda assim, a mensagem de como nestes tempos temos uma confiança simplificada em desconhecidos, seja um condutor privado através de uma aplicação, seja o aluguer de uma casa, por mera conveniência, prova-nos que existe um potencial em explorar histórias do género.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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