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Cinema: Crítica – O Pugilista (2022)

O que criticar num filme que cumpre todos os seus objetivos? Acredito que não se deve pedir excelência ou originalidade num filme. Se tiver, ótimo. Se não tiver, não faz mal. Desde que tenha qualidade e seja competente… Para mim, fez o que tinha a fazer.


Prizefighter

Se quer ver este filme por causa de Russel Crowe, eu aconselharia a tirar o cavalinho da chuva. Isto porque: primeiro, o personagem que Russel Crowe interpreta, apesar de importante no 1º ato, a partir da segunda metade do filme fica na categoria de personagem secundária, se isso; e segundo, convenhamos, Russel Crowe não está nos seus melhores dias, e o papel que faz neste filme, não é nada mais nada menos do que ‘aceitável’. – Mas poderia ser pior, se Crowe fizesse um papel que não fosse alguém a lidar com o seu alcoolismo por exemplo. 

Não vou tocar muito nisso também porque, como disse, o avô alcoólatra de Jem Belcher (protagonista do filme, interpretado por Matt Hookings), só é importante no 1º ato. É aí que somos introduzidos ao mundo dos primórdios do boxe na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX. Jack Slack (Russel Crowe), avô de Jem, foi outrora um grande pugilista, porém não conseguiu lidar com o sucesso, e por isso vive na miséria. Jem, que desde criança se interessou por boxe, está convencido de que vai superar o avô, seja na parte desportiva como na parte familiar. 

No primeiro combate que disputa, Jem demonstra uma habilidade fora do comum, e por isso é recrutado por Bill Warr (Ray Winstone), para se tornar num pugilista profissional. É aí que começa a ‘viagem’ de Jem Belcher pelo mundo do boxe, o que o leva a Londres, ponto nevrálgico deste desporto em ascensão. 

É aí que Jem, após ter se consagrado como o “Campeão de Inglaterra”, começa a se movimentar pela alta sociedade inglesa, onde encontra, à primeira vista, tudo o que precisa, ou que nunca tinha visto. Jem é aceite pela cidade, desde que continue a lutar, ou melhor, a movimentar o mercado de apostas entre os ‘Lordes’ e os ‘Sires’

Prizefighter

O filme quer nos mostrar a decadência dos privilegiados, e o quão facilmente, o miúdo “de lado nenhum” (no caso Bristol), caiu no canto da sereia da nobreza, e foi absorvido pelos excessos. Acredito que caso o filme tivesse mais orçamento, as cenas nos ‘clubes exclusivos’ fossem ainda mais impressionantes, mas mesmo assim dá para perceber muito bem o que aconteceu com Jem. 

Como era de se esperar, o pior acontece, e numa noite de excessos Jem fica quase cego de um olho. Já não pode competir, algo que é ainda mais devastador do que ser derrotado, ou perder o título. Sem outra opção, Jem volta a Bristol, para a sua família.

É em Bristol que, a pouco e pouco, Jem prepara-se para voltar a Londres, para mostrar à nobreza corrupta que ele não foi abaixo. Jem treina como nunca para o derradeiro combate, que pode torná-lo “Campeão de Inglaterra” mais uma vez. Mas é no 3º ato que ficamos com a dúvida: “Será assim tão importante vencer?”

Prizefighter

É nos momentos finais em que os ‘nós’ do filme vão sendo atados, em que conseguimos por fim ver a ‘full picture’. O filme termina com uma ode ao desporto do boxe, uma celebração da figura do pugilista, e tudo o que a envolve, seja a família, o treinador, ou até o adversário.

A visível timidez de Hookings no papel de Jem compensa, seja no 2º ato, em que ele fica deslumbrado com o mundo da aristocracia, ou no terceiro, quando ele volta para os braços da sua família.

O Pugilista é um filme que não comete erros, que não é complicado, e que não inova. Porém consegue ‘manipular’ e encantar o espectador com maestria. Na minha opinião, não tinha muita margem de manobra para ser mais do que isso, e portanto, é um excelente filme para o que é.

3.5/4 – Estrelas

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