Cinema: Crítica – O Dia da Independência: Nova Ameaça

o-dia-da-independencia_nova-ameacaSe Universal Soldier foi a chave e Stargate, a porta, sem dúvida alguma que Independence Day foi a dinamite que rebentou com as duas e permitiu entrada livre em Hollywood a Roland Emmerich e Dean Devlin, dois sonantes nomes do cinema comercial dos anos 90. [fbshare]

Respondendo a um amor partilhado pela época dourada de ficção científica dos anos 50 e filmes catástrofe do (devidamente apelidado) “Mestre do Desastre” Irwin Allen – Emmerich e Devlin apostaram em grande com ID4, um blockbuster em pleno cuja imagem de venda (o icónico modelo da Casa Branca a ir pelos ares) imprimiu dinheiro mais depressa do que se leva para dizer Godzilla.

E claro, empurrou Will Smith para o estrelato definitivo e duplicou a conta bancária de Jeff Goldblum.

Num ballet indeciso desde 2002, esta Nova Ameaça demorou a chegar, mas agora que aqui está, será ela bem-vinda?

Não quero parecer desagradável ou preguiçoso, mas tudo o que precisam de saber em termos de história está no título. Passaram-se 20 anos. Estamos no 4 de Julho. Os extraterrestres voltaram para  lixar os foguetes. E, voltou (quase) toda a gente menos o Will Smith.

Mas não me interpretem mal. Não me querendo desculpar pelo segundo parágrafo consecutivo, mas fiquei genuinamente surpreendido ao ver que esta sequela incorpora e lida com os acontecimentos do filme anterior com um peso considerável que afecta não só as personagens (com excepção talvez de Brent Spiner) mas o mundo em que vivem (onde a visita alienígena provocou um avanço considerável na tecnologia).

E o que invade o filme acaba por ser uma montanha de positivos: o diálogo acerta mais vezes do que falha, as sequências de acção são exactamente aquilo que devem ser – construídas com um ritmo pulsante e uma banda sonora excitante, nunca excede o seu tempo de antena (algo extremamente raro nos dias de hoje) e todo o elenco parece estar a alimentar-se livremente da alegria proporcionada pelo banquete catastrófico que Emmerich cozinha.

Tudo isto resulta num ambiente de diversão contagioso que se espalha por toda a película.

E sim, tudo isto tem menos massa cerebral do que uma montanha de peixe em Nova Iorque (se ninguém perceber esta, vou parecer um idiota ainda maior), mas criticar esta componente é fútil, pois é nesta opacidade que reside parte do encanto – aliás, depois de verem o filme, respondam-me à pergunta: porque raio é que o Bill Pullman ia fazer a barba no meio da segunda invasão extraterrestre? Porque é que a humanidade tem que ficar extinta só para ele sentir uma leve brisa no queixo?

E querem mais boas notícias? Não precisam de ter visto o original para desfrutar desta última invasão. Apesar de o filme comentar e divertir-se com muitos dos momentos de ID4, tudo o que precisam está aqui neste pacote actual. Incrível, não é? (estou a olhar para ti, Marvel).

Ignorem o ocasional green screen menos convincente, o óbvio beijar do rabo à China (depois do sucesso do Warcraft lá, esperem cada vez por ele), aquela linha de diálogo menos engraçada ou o vosso irmão Hemsworth menos preferido – O Dia da Independência: Nova Ameaça é uma deliciosa (e pouco saudável) receita em como fazer um disaster movie.

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Ninguém vai acusá-lo de ser um grande chef, mas Roland Emmerich sabe como fazê-lo. Com gusto e as doses de cheese necessárias.

Bon appétit, alien scum!

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Tiago Laranjo

PS: São três estrelas, sim. Mas são três fortes e robustas estrelas.

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