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Cinema: Crítica – “O Caça Policías: Axel Foley”

Eddie Murphy está de regresso a Beverly Hills para uma nova investigação policial 40 anos depois da original. O Caça Polícias: Axel Foley está disponível na Netflix e nós já assistimos.


O Caça Polícias: Axel Foley

28 anos

desde a última vez que assistimos a uma intensa e divertida aventura d’“O Caça-Polícias” (“Um Tira da Pesada”, no Brasil), o detetive Axel Foley está de regresso a Beverly Hills. Depois da sua filha estar em perigo, os dois unem-se a um novo parceiro e aos velhos amigos Billy Rosewood e John Taggart para entrarem em ação e desvendarem uma conspiração.

O Caça- Polícias

é um marco na comédia de acção e um dos filmes chave na carreira de Eddie Murphy; o filme de 1984 arrecadou mais de 300 milhões de dólares em todo o mundo e recebeu nomeação para o Oscar de Melhor Argumento Original. Através de duas continuações, Murphy permaneceu sendo a força motriz da série – sem o seu raciocínio rápido e dedo no gatilho, onde estaria o agente de Detroit que foi causando estragos em Beverly Hills?

O Caça Polícias: Axel Foley

Agora, Foley está de regresso para os assinantes da plataforma de streaming Netflix, com uma nova missão não oficial em Beverly Hills. Será apenas uma recordação para os nostálgicos do cinema de acção dos anos ‘80 ou poderá convencer as novas gerações? A resposta é rápida e fácil: é uma mera caricatura do que já foi!

O início, ao som de “The Heat is On”, remete imediatamente para o primeiro filme da saga e fica-se com uma amarga sensação no pensamento: este título deveria ser assistido num grande ecrã de cinema, com a lotação esgotada a rir com a gargalhada sonora de Murphy.

O Caça Polícias: Axel Foley

Os típicos problemas da rotina de Foley começam em Detroit, com ele a destruir tudo que surge pelo caminho. Linguagem sem filtros, perseguições e decisões ridículas tomadas pelos bandidos e pela polícia. Nada de novo na vida deste detective!

Até que recebe notícias do seu amigo Rosewood, e decide ir a Beverly Hills, pois em perigo estará a filha de Foley, a advogada  Jane Saunders. Com a filha decidida a defender a inocência de um suposto assassino de polícias, Foley não perde tempo para desvendar a teia.

O Caça Polícias: Axel Foley

lembra Top Gun: Maverick, pois a personagem título, algumas décadas depois continua a ser imprudente e selvagem tal como na sua juventude. E apesar de existirem mais pontos comuns com o filme protagonizado por Tom Cruise, o resultado final é bem diferente!


O que se passa com o filme?

A relação entre Foley e a filha origina morosos diálogos apenas justificativos da ausência paterna e da tentativa de redenção. A presença no ecrã de Eddie Murphy e de Taylour Page, a actriz que interpreta a filha, é sofrida, sobretudo pela falta de qualidade e empenho nas interpretações de ambos.
A inexperiente realização de Mark Molloy esqueceu-se que deveria dirigir o elenco!

Judge Reinhold, John Ashton, Paul Reiser regressam neste quarto filme. Bronson Pinchot regressa numa pequena participação especial como Serge, do primeiro e terceiro capítulo. É agradável reencontrar no ecrã as novas vidas (ou as mesmas) destas personagens e como elas lidam com Foley. Mas, tal como acontece com Murphy que já não tem 20 anos ou 30, todos envelheceram e agora algumas cenas de acção são inverosímeis.

Joseph Gordon-Levitt é das novidades no elenco, como o detetive Abbott, que se torna num aliado de Axel Foley. Kevin Bacon interpreta o vilão principal, o capitão Cade Grant. No entanto, seria interessante que esta personagem demonstrasse outra potência maléfica e fosse um clássico mau da fita.

A falta de atenção na direção de elenco fica exposta quando se assiste a Murphy partilhar ecrã com Bacon. A diferença entre a entrega à cena é abismal! Kevin Bacon demonstra mestria e qualidade na sua interpretação, enquanto Eddie Murphy relega-se a estar em quadro.

O Caça Polícias: Axel Foley

A realização e direcção de fotografia dedicaram-se à nostalgia, na criação de planos e movimentos de câmara típicos do cinema Old School. A aplicação é em excesso. Pela nostalgia da saga, regressam os planos contra-picados das palmeiras de Beverly Hills e o decalque de uma cena do primeiro filme, com o elenco 40 anos mais velho. Estão também de regresso, embora que timidamente, os filtros típicos do cinema do produtor, Jerry Bruckheimer.

Tal como os anteriores filmes da saga…

O Caça Polícias: Axel Foley é produzido por Jerry Bruckheimer e no início surge mesmo o nome do falecido sócio, Don Simpson. Neste Caça Polícias existem perseguições em limpa neve, num helicóptero em fuga pelas ruas de Beverly Hills, num “mata-velhos” nos passeios, e muitos carros da polícia destruídos, mas não existe espectacularidade ou emoção capaz de prender o espectador ao sofá.  

Do homem responsável por tantos sucessos do cinema destas últimas quatro décadas, como Top Gun: Ases Indomáveis, Armageddon, Pearl Harbor, Piratas das Caraíbas ou  Os Bad Boys, seria de esperar a garantia de cenas de acção espectaculares. Para este filme, bastou garantir o chorudo cheque da Netflix! 

NETFLIX REVELA TRAILER DE O CAÇA-POLÍCIAS: AXEL FOLEY COM EDDIE MURPHY

O argumento, escrito por Will Beall (Liga da Justiça de Zack Snyder), Tom Gormican (O Peso Insuportável de Um Enorme Talento)  e Kevin Etten (O Peso Insuportável de Um Enorme Talento), inclui referências aos filmes anteriores da saga e ainda um trocadilho em torno de uma fala de Eddie Murphy em Shrek. A história deste filme acaba até por destacar a faca de Rambo II:  A Vingança do Herói, em mais uma homenagem ao cinema de acção dos anos ’80. (A presença do segundo filme de John Rambo poderá também remeter para a escolha inicial de casting, em que Stallone interpretaria Axel Foley).

No entanto, o argumento esqueceu-se de seguir o modo matemático para estas produções, em que se pretende entreter e manter a atenção do espectador (nas cenas para se “respirar”). O desenvolvimento da história é lento, confuso, com personagens que não justificam a presença no ecrã; no resumo geral, sem momentos como aqueles que criaram a saga. Ou seja, não existe o humor perspicaz da personagem fala barato nem a acção e confusão típica de Foley. Safa-se, que, mantém a linguagem imprópria para ouvidos sensíveis e uma ou outra observação social de Beverly Hills.

O compositor Lorne Balfe (Top Gun: Maverick) captura perfeitamente o espírito dos filmes anteriores com a presença da sonoridade original de Harold Faltermeyer. Resulta bem a combinação entre os temas dos filmes originais com algumas das músicas mais recentes.

O Caça Polícias: Axel Foley

Pontos positivos:

  • Kevin Bacon
  • banda sonora.

Pontos negativos:

  • as interpretações de Taylour Page e Eddie Murphy
  • a direcção de actores em geral
  • os diálogos penosos
  • a falta de estreia nas salas de cinema.

Resultado 4/10

Acabam por ser quase duas longas horas à espera de concluir que “este cinema de acção não é para velhos”, mesmo quando na cadeira da realização está um jovem.


O Caça Polícias: Axel Foley está disponível na Netflix desde 3 de julho.

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