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Cinema: Crítica – Noite Violenta (2022)

Fundado por David Leitch e a sua mulher, Kelly McCormack, a 87North Productions tem reinventado todo um novo sub-género de filmes pós-John Wick. A decisão de aplicar o estilo de acção do clássico moderno em novas produções tem nos oferecido uma multitude de histórias que daqui a várias décadas irão ser consideradas um dos mais inventivos da história do cinema, pelo menos como casos de estudo em como criar um filme de acção a partir de uma premissa básica. Noite Violenta é a próxima entrada, com um tópico mais festivo e apropriado à sua data de estreiam, com um filme realizado por Tommy Wirkola.

Quando um grupo de mercenários liderado por Mr. Scrooge (John Leguizamo) decide tomar conta da casa de uma mulher de negócios rica, e a sua respectiva família de descendentes, em busca de uma quantia avultada de dinheiro alegadamente escondido no cofre, estes vêem o seu plano a ser interrompido quando se apercebem que há um visitante inesperado entre eles: O Pai Natal (David Harbour). O que se segue é um festivo evento natalício, onde não faltam renas, bolachas caseiras, balas e muito sangue. Tudo aquilo que faz as crianças felizes, na verdade.

De alguma forma, o filme consegue equilibrar a parte emocional, onde há elementos da família inocentes que necessitam de ajuda e que vêem o Pai Natal como um herói, com a parte de paródia, onde tudo o resto se encaixa. Desde outros familiares com um QI abaixo de 10, mercenários com problemas de raiva e uma série de reviravoltas que vão conseguindo dar um propósito decente à narrativa, Noite Violenta assenta-se bem nos eixos para se tornar no próximo filme de Natal favorito de toda a gente. Talvez o queiram ver é depois da consoada.

Wirkola aplica igualmente a sua dose de violência e comédia de forma irreverente, uma especialidade do seu currículo, que conta com títulos divertidos como Os Mortos-Vivos Nazis, e a sua ainda melhor sequela; e Hansel & Gretel: Caçadores de Bruxas. São todas obras com uma sensibilidade particular nórdica, onde as boas maneiras ficam à porta, em troca de muito momentos que tanto fazem rir, como tapar os olhos. Isto é algo que beneficia este filme, deixando-o fazer aquilo que é suposto sem ter que se preocupar com ser politicamente correcto.

Por outro lado, há também vários detalhes sobre o folklore do Pai Natal como os conhecemos, desafiados num contexto muito diferente que o esperado, mas igualmente válido para aprendermos algo novo sobre a sua existência e como a sua história é passada de geração em geração.

Assim, Noite Violenta promete satisfazer dois grandes grupos de fãs de cinema, os que gostam de muita acção, e os que gostam de filmes de Natal, sendo uma mistura perfeita entre os dois. Harbour continua a sua conversão para o grande ecrã, à medida que Stranger Things vai chegando ao fim, e vê-se aqui numa tempestade perfeita.

Nota Final: 7/10

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