Cinema: Crítica – Nightmare Cinema (2018)

Nos dias que correm, as antologias mantêm uma relevância importante nas narrativas episódicas, popularizadas nas massas com a série da Netflix, Black Mirror; e filmes como The ABCs of Death e The Field Guide to Evil, que juntam criativos importantes no género de terror e criam um misto de histórias com a assinatura pessoal de cada um, conduzido por um tema principal. Eis que agora entra Nightmare Cinema, que junta alguns mestres do terror clássico e moderno, para dar alguns sustos.

Este conto começa num cinema vazio e assombrado, gerido por um homem conhecido apenas como The Projectionist (Mickey Rourke), onde o nome do filme traz o título do segmento e o nome da vítima, da qual iremos ver o seu pior pesadelo no grande ecrã, sendo ele o anfitrião desta antologia.

Composto por cinco segmentos, cada um é realizado por um de cinco realizadores, entre os quais o veterano Mick Garris (Seres do Espaço – Parte II), e David Slade (Black Mirror: Bandersnatch). Nenhuma das narrativas sem se interligam entre si, dando oportunidade de cada realizador poder explorar a sua ideia individual de o que seria o derradeiro pesadelo para as suas personagens.

Todas a histórias agarram em elementos conhecidos no terror, desde o psicopata assassino em The Thing in the Woods (de Alejandro Brugués), à demonstração do pior cenário possível numa cirurgia plástica, como em Mirai (de Joe Dante), passando por um demónio que assombra uma escola católica em Mashit (de Ryûhei Kitamura); um terrível sonho a preto e branco, em This Way To Egress (de David Slade), terminando com uma ideia das consequências em trazer alguém dos mortos, em Dead (de Mick Garris).

  Um sério caso de sucesso nos Cinemas

O que as faz destacar é a qualidade consistente entre cada uma delas, assumindo de forma natural a sua pele mais old school e de baixo orçamento, num formato que sempre desafiou o contar da narrativa com uma abordagem mais directa, focando no essencial e divertindo-se com o resto. As tradicionais reviravoltas e subversão do imaginário estão presentes, com histórias que no fim nos deixam a pensar, tendo um grande aproveitamento do charme ao descobrirmos um novo filme a cada 25 minutos.

Assim, Nightmare Cinema está na mesma linha que as antologias clássicas, preferindo explorar ideias sólidas já fomentadas no passado, longe dos filmes VHS ou do mais recente Southbound, onde neste último, a separação dos segmentos é feita de uma forma mais orgânica, sem cortes. Assim, este é o género de filme que, mantendo a sua peculiaridade, pode realmente abrir portas para que várias forças criativas colaborarem em conjunto, sejam eles lendas do cinema ou novas estrelas em ascensão.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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