Cinema: Crítica – Jexi (2019)

Não é a primeira vez que vemos a tecnologia a ganhar uma consciência própria e virar-se contra os humanos. Exemplos como K.A.R.R. de O Justiceiro ou HAL 9000 em 2001: Uma Odisseia no Espaço, ou até muitos dos episódios assustadores de Black Mirror, que mostram um mundo sombrio com consequências avassaladoras. Em Jexi, vamos conhecer uma outra variante da Siri da Apple ou a Alexa da Amazon, que vem dar alguma leveza a um conceito clássico, no novo filme da dupla de Jon Lucas e Scott Moore (Mães à Solta, A Ressaca).

Phil (Adam Devine) é um jovem que passou toda a sua vida colado ao telemóvel, obcecado por ele a níveis bastante perigosos, ao ponto de não ter uma vida para além do dispositivo móvel. Isto até que um dia vai contra Cate (Alexandra Shipp), uma bela rapariga, da qual Phil se apaixona, ainda que o acidente tenha quebrado o seu smartphone. Ao comprar um novo, Phil dá de caras com JEXI (com a bela voz de Rose Byrne), que prova ser muito mais que uma simples assistente.

JEXI é agressiva, inapropriada e politicamente incorrecta, contra-balançando a personalidade introvertida de Phil, que utiliza a tecnologia para satisfazer todos os seus pedidos. Afinal, estamos no virar da década e o poder da internet das coisas é uma realidade. No entanto, o filme felizmente tem noção de o quão ridículo o mundo se tornou e segue, em grande parte, o rumo da sátira, através da força de uma personagem virtual que é o caso do pior cenário possível.

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Do outro lado da narrativa, está uma história romântica onde os millennials conseguem-se facilmente identificar, já que Cate é uma rapariga de espírito livre, amante das actividades ao ar livre e sem medos quando toma riscos, vivendo a vida ao máximo, puxando pela mesma faceta em Phil, com algum sucesso. Infelizmente aqui é quando Jexi começa a mostrar as suas falhas no sistema operativo, onde começa por parecer algo interessante e ligeiramente diferente do costume, para no final do filme acabar insonso e comum. Mas até as coisas ficarem banais, existem alguns momentos tão caricatos, que parecem tirados das coincidência da vida real.

Repleto de algumas piadas inteligentes e outras menos impressionantes, Jexi é uma comédia-romântica que simplesmente funciona, onde a sua falta de ambição se traduz numa história minimamente equilibrada, com o bónus de termos um smartphone falante a ser a pior melhor amiga de sempre; tendo a perfeita noção de toda a absurdidade do mundo que construiu em sua volta, ganhando todos os pontos.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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