Cinema: Crítica – High Life (2019)

Há décadas que o retrato do espaço no cinema permite-nos explorar os cantos mais obscuros do universo, levando-nos a um imaginário daquilo que um dia poderíamos viver, caso a evolução tecnológica permitisse. Mas desta vez, a realizadora francesa Claire Denis mostra-nos o lado mais cru do ser humano, bem longe da Terra, em High Life.

Um grupo de criminosos a servirem sentenças de vida são enviados numa missão no espaço, em busca de fontes de energia alternativa. São apenas dois os sobreviventes da missão, Monte (Robert Pattinson) e a pequena Willow (Scarlette Lindsey), onde todos os momentos são de espera por algo maior. À medida que o tempo passa e a solidão está mais presente, o filme volta ao inicio da missão, para percebermos o que correu mal.

Já sabendo os riscos da ida para o espaço: alguns membros da tripulação desenvolvem problemas devido à radiação, e também sofrem com as experiências feitas pela Dra. Dibs (Juliette Binoche), uma especialista médica, que lidera uma missão paralela para estudar a reprodução naquelas condições específicas.

Todo o ambiente espacial é frio, escuro e claustrofóbico, e vemos as consequências da isolação no meio do nada, capaz de mexer com a sanidade de qualquer um. Tudo é retratado com rigor, já que Denis fez uma grande pesquisa de todos os detalhes sobre a vida no espaço, desde do design da nave, como o que existe no seu interior, especialmente o jardim térreo, que é uma sala comum neste tipo de viagens; como também tudo o que se sabia sobre buracos negros, cortesia de Aurélien Barrau, especialista na matéria.

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A narrativa, contada de forma não-linear, serve para abordar uma dupla temática onde a ficção científica entra em contacto com a sexualidade interior de cada um, não fosse por uma sala de prazer, já que os tripulantes estão proibidos de fazerem sexo entre eles. A isto se adiciona uma fotografia brilhante, com cena atrás de cena visualmente incrível, acompanhado pelos misteriosos sons do silêncio, ou música drone e o seu bom estilo minimalista.

Por vezes é difícil não notar certas semelhanças com a brilhante estreia de Panos Cosmatos, com o seu clássico moderno Beyond The Black Rainbow, ou ate Solaris, de Andrei Tarkovsky, sobretudo no que toca a forma lenta que o filme vai se aprofundando entre as estrelas, ao qual High Life faz e muito bem em nos cativar como muitas poucas obras.

Ainda que existam momentos onde o seu orçamento reduzido é aparente, pouco nos incomoda, já que estamos perante um filme diferente daquilo que podemos esperar, High Life aguça a nossa curiosidade de descoberta e levando-nos numa jornada onde o amor no seu estado mais natural existe até nas profundidades do espaço.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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