Cinema: Crítica – Gretel & Hansel

Todos nós, principalmente quando mais novos, ouvimos o conto de fadas de “Hansel e Gretel”, os dois irmãos que encontram uma bruxa que os rapta. O que a maioria das pessoas desconhece é que, alguns dos contos de fadas que ouvimos são versões mais ligeiras dos contos dos Irmãos Grimm. E, é agora que voltamos a ver uma história com contornos mais negros, com “Gretel & Hansel”. Mas será este um bom filme?

Tal como já referi anteriormente, estamos perante uma adaptação do conto de fadas dos Irmãos Grimm, mas com pequenos ajustes para que este seja um filme de terror. Diga-se de passagem, que se trata de um filme de terror para adolescentes e adultos, ou seja, se vão à procura de grandes sustos preparem-se…porque não os vão encontrar aqui. Se agradeço o facto de não existirem os tradicionais jumpscares, por outro lado, penso que se o objetivo é criar um sentimento de medo no espectador, o filme falha redondamente nisso. É que nem em termos visuais tal acontece. No máximo, temos uma ou duas situações que podemos considerar nojentas. Para além disso, não há realmente por onde se pegue.

No entanto, é um filme que surpreende em termos visuais. Toda a floresta é fantástica, mesmo sendo negra. É algo que realmente deixa qualquer um espantado. E, visualmente a casa da bruxa é linda de morrer. Ninguém diria que morava ali uma bruxa, notando-se uma clara inspiração das construções tradicionais medievais das nossas imaginações. No entanto, a casa tem algumas particularidades que deverá deixar o espectador sem saber o que dizer e que são, por sinal, onde acontecem algumas das melhores cenas do filme.

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Em termos sonoros, há pouco por onde ir neste filme. Não há nada de especial em termos de som mesmo. Para o leitor ter em conta, nem a floresta tem um som ambiente específico. E, quanto a bandas sonoras temos uns violinos mais fortes do que o normal. Fora isso, não existe um som relevante que se envolva com o filme.

Porém, o grande destaque do filme tem que ir para o elenco. Se excluirmos pequenos papéis como o de Charles Babalola, que aparece durante escassos minutos, na realidade nós só temos três personagens que nos acompanham ao longo do filme e, a aposta da mudança das idades de Hansel e Gretel é bem aplicada, especialmente porque Sophia Lillis, depois do potencial mostrado em IT, de 2017, volta a brilhar como Gretel. Mas, também não posso deixar de tecer elogios a Sam Leakey, que dá vida ao irmão mais novo de Lillis. Sendo a sua estreia em cinema, digamos que o rapaz cumpriu com os requisitos que lhe foram propostos. Por fim, gostava de falar da dualidade de Alice Krige e Jessica De Gouw que fazem o mesmo papel. É fantástico como de um lado conseguimos ver um rosto deliberadamente mau e do outro, algo com um pouco de doçura. No entanto, a sua personagem falha completamente ao não dar momentos de verdadeiro terror.

Resta concluir que, Gretel e Hensel continua a ser um conto de fadas. Neste caso, a tentativa de o disfarçar de filme de terror falhou por completo. A história era perfeita, mas se não sabem criar o ambiente, é natural que não se concretize da forma que se quer.

 

Nota Final: 4/10

Gretel & Hansel estreia a 20 de fevereiro nas salas portuguesas

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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