Cinema: Crítica – Exterminador Implacável: Destino Sombrio (2019)

Raros são os filmes cujas sequelas são tão bons ou melhores que os primeiros. Aconteceu com Aliens: O Recontro Final, em 1986, e mais recentemente com Homem-Aranha 2, em 2004. Mas entre este período de tempo, James Cameron tinha criado um universo de ficção cientifica de proporções gigantes, sobretudo quando Exterminador Implacável 2: O Dia de Julgamento redefiniu uma era de cinema por inteiro.

  

Para melhor ou pior, três filmes, com graus variáveis de qualidade, que vão do terrível ao medíocre, no seu melhor, juntamente com uma das séries mais subvalorizadas da televisão e uma infinidade de versões noutros meios, como banda desenhada, o que tinham todos em comum era nunca serem tão bons como a sequela de 1991. Mas algo mudou e Cameron, algures enquanto lida com a realização do seu império cinematográfico dos futuros filmes de Avatar, decidiu voltar a uma franquia que lhe é muito querida, e assume como produtor a verdadeira terceira entrada da série, em Exterminador Implacável: Destino Sombrio.

O ano é 2020 e o mundo como o conhecemos continua praticamente na mesma, muito devido a Sarah Connor (Linda Hamilton) e ao seu filho John, que conseguiram evitar o fim da humanidade e a ascensão da Skynet. Mas o destino é inevitável quando Grace (Mackenzie Davis), uma exterminadora vinda do futuro regressa para proteger Dani (Natalia Reyes), de um exterminador assassino tecnologicamente avançado, chamado Rev-9 (Gabriel Luna). Sarah junta-se à festa, já que nas últimas duas décadas, esta tem-se dedicado a caçar outros exterminadores que têm aparecido ao longo dos anos.

Somos enfrentados com um sentido imediato de nostalgia, ao vermos o regresso de uma das heroínas mais emblemáticas do cinema no grande ecrã, com muitos a porem Sarah Connor lado-a-lado com Ellen Ripley de Alien. Naturalmente, eliminando tudo o que vem para trás, permite contar uma história sem ter de se preocupar em tapar qualquer tipo de buracos na narrativa, podendo este Destino Sombrio dedicar-se a contar a sua verdadeira história.

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Existe um momento em que nos apercebemos que a sua estrutura é muito semelhante ao icónico filme de ’91, com algumas diferenças chave que fazem deste novo filme algo interessante de ver, a começar com o trio feminino, onde a velha-guarda colabora com quem acabou de cair no meio duma guerra de décadas. É fácil vermos Sarah como a mãe-líder do grupo, onde a sobrevivência, as noções de destino e o livre-arbítrio são postas em causa, deixando-nos agarrados à cadeira.

Tim Miller estabeleceu o seu sucesso na realização de Deadpool e volta a fazer das suas, com muitas cenas de acção e one-liners cheias de estilo e com muito coração, onde sentimos uma verdadeira empatia na missão das personagens, seja na de Sarah, em eliminar de uma vez por todas a praga; seja de Grace, que faz tudo para proteger Dani, custe o que custar.

Assim, Exterminador Implacável: Destino Sombrio dá à franquia o tão necessitado choque que precisava, 28 anos após ter mudado o cinema para sempre. De certa forma, esperamos nunca mais ver um novo filme no futuro, mas tendo em conta como as coisas funcionam por Hollywood, duvido que esta seja a última vez que veremos um Exterminador Implacável.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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