Cinema: Crítica – Em Fúria (2020)

Todos temos dias maus, mas alguns podem levar alguém ao limite, sobretudo quando para isso basta uma buzinadela. É este o conceito básico do mais recente filme realizado por Derrick Borte e escrito por Carl Ellsworth, com o thriller Em Fúria.

Tom Cooper (Russell Crowe) é um homem instável que ultrapassa todas as barreiras quando é buzinado por Rachel (Caren Pistorius), uma mulher a lidar com uma altura difícil da sua vida, entre o divórcio com o seu marido e manter um trabalho estável. Tom, esperando que Rachel lhe pedisse desculpa pelo sucedido, faz com que esta tenha o pior dia da sua vida quando entra alvoroço violento, em que o homem fará de tudo para que ela sofra as consequências das suas acções.

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Zero é a quantidade de empatia que temos por Tom, que escala o desentendimento para algo com proporções incríveis, ao ponto de assediar e perseguir uma pobre mulher, com a maior das intenções de destruir a sua vinda inteira. Por causa de uma buzinadela.

Na verdade, toda esta história poderá ser vista como uma alegoria, exagerada para os seus próprios efeitos de paródia e provar um ponto sobre a violência na estrada. Aliás, a sequência dos créditos iniciais do filme é ela maioritariamente composta por vídeos de noticiários e das redes sociais, onde vemos o tal “road rage” em efeito no mundo real. No entanto, duvido que todos tenham começado por algo tão banal e ignorante.

  O Dia Mais Curto está de volta!

Enquanto Russell Crowe está sempre em modo grunhirão zangado, a sua capacidade de manter o mesmo registo de maníaco durante a hora e meia de filme é de aplaudir, mesmo que este contribua para o problema de oferecer violência gratuita em todos os momentos possíveis. Entretanto, é a personagem de Caren Pistorius por quem mais torcemos, que no meio de tanto sofrimento, é capaz de ultrapassar as dificuldades, mesmo que estas são longe de serem plausíveis.

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Com uma narrativa facilmente quebrada com problemas que poderiam ser facilmente resolvidos com uma chamada à polícia logo no instante que acontecem, fica difícil gostar do desenvolvimento da mesma e como prossegue na sua missão de usar a força humana para aterrorizar uma pessoa.

Com isto, Em Fúria é um thriller que cai no esquecimento a partir dos créditos finais, salvo se for para lembrarmos de um Russell Crowe com um dad-bod, a ser a pessoa mais ruim à face da terra por, literalmente, razão nenhuma; deixado a sensação que o filme apenas existe para alimentar uma fantasia sádica qualquer. E isso não pode ser bom.

Nota Final: 3/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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