Cinema: Crítica – Cidades de Papel (2015)

poster_de_Cidades_de_PapelNum mercado saturado com road trips e coming of age films, é difícil saber o que alugar de um clube de vídeo para os seres lá de casa que estejam a conhecer a puberdade. Mesmo depois de um dia árduo de trabalho, a decisão mais importante terá a ver com a escolha de uma simples cassete com uma capa apelativa entre as secções de drama/comédia. [fbshare]

Uma aposta? Muito provavelmente alguns dos seguintes nomes estarão na caixa: John Cusack, Molly Ringwald, Anthony Michael Hall, Lea Thompson, John Hughes, Chris Columbus, Cameron Crowe (ou até Ruggero Deodato em casos extremos).

Mas deixemos os 1980 para trás e avancemos até 2015 para falarmos da segunda adaptação do  autor norte-americano John Green que no ano passado, viu um dos seus romances ser transformado num êxito gigantesco com The Fault in Our Stars e como tal, chega-nos agora Cidades de Papel – que é para a primeira adaptação de Green o que Casino é para Goodfellas (infelizemente Joe Pesci não está nas adaptações de John Green).

Quentin (Nat Wolff) gosta da sua melhor amiga, a enigmática e carismática Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne) desde que se lembra, mas com o passar do tempo a amizade de ambos diminui até não existir contacto algum entre ambos. Uma noite memorável vai mudar tudo para Quentin, que se vê de volta na vida de Margo. Problema? Margo desaparece no dia seguinte, deixando para trás um conjunto de pistas que levará Quentin e o seu grupo de amigos à sua procura.

Depois do excelente Robot & Frank, o realizador Jake Schrier regressa agora com o seu segundo filme e nele consegue injectar um surpreendente feeling de vários filmes vintage dos anos 80 (eu escolho Adventures in Babysitting e The Legend of Billie Jean como os principais culpados) no seu ADN – algo que infelizmente está presente apenas em doses irregulares durante todo o filme.

O elenco funciona bastante bem entre si, com uma química (felizmente) palpável entre Nat Wolff (no seu segundo filme baseado num obra de John Green) e Cara Delevingne; e entre Wolff e os restantes membros do grupo – Justin Smith (Radar) e Austin Abrams (Ben). Mas o verdadeiro destaque vai para Harlston Sage (Lacey) que deslumbra em cada frame que se encontra (e onde eu tive o meu momento “à lobo de Tex Avery”). Se conseguisse recomendar o filme apenas com este factor em mente, faria-o sem qualquer problema…

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Mas o problema aqui surge no próprio livro (e por conseguinte no argumento de Scott Neustadter e Michael H. Weiss) que transformam a personagem de Margo e o seu “plano de vingança” em algo tão irrealista e inverosímil que põe em causa, basicamente, todo o filme, pedindo ao espectador algo extra para funcionar. (estou certo que quem estiver familiarizado com Cidades de Papel não terá problemas nenhuns em aceitar).

E aqui talvez seja o meu radar de anos 80 a disparar, mas o filme nunca aproveita a interessante premissa ao máximo, nunca conseguindo tirar mais da sua comédia nem mais do seu drama do que absolutamente necessário para a ocasião – deixando o filme no meio de duas estradas (com um sinal que diz Nicholas Sparks Esteve Aqui).

Com um bom espírito presente, um realizador capaz e algumas interessantes dinâmicas, Cidades de Papel nunca chega a criar uma identidade própria que o separe de inúmeros outros filmes que pretendem atingir o mesmo público alvo.

Honestamente, se conseguirmos passar por cima de algumas partes da caracterização da personagem de Margo conseguimos encontrar alguns pontos de diversão e entretenimento. E  suponho que seja uma adaptação razoavelmente fiel à obra original e que os seus fãs sairão satisfeitos das salas de cinema. Talvez seja apenas esse o objectivo. Eu apenas gostaria de ter tido acesso a algo mais

(a preparar para fazer um trocadilho final com o título do filme)

(pronto!).

Algo que não fosse feito apenas de papel.

2/5

Tiago Laranjo

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