Cinema: Crítica – Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça

Há aqui algures o suficiente para uma boa sequela do Man of Steel. Ou então para um filme a (re)introduzir o Batman. Ou até mesmo para uma prequela dos vindouros filmes do universo cinematográfico da DC.[fbshare]
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Infelizmente, Batman v Superman: O Despertar da Justiça tenta (como o próprio título aglutinado indica) ser tudo isso em simultâneo e acaba por se revelar somente como um repertório de meias-medidas que, ao invés de querer ser uma longa-metragem satisfatória (e coerente), tem como preocupação principal compensar o atraso cinematográfico que a DC tem em relação à rival no que toca a construir um universo repleto de franchises.

E tal objectivo primário só prejudica o filme, quer pelas sequências despachadas à pressa (se Zack Snyder já tinha demonstrado capacidades de aviar trama no Watchmen, aqui então nem se fala), quer pela edição incongruente que faz com que o filme seja essencialmente um trailer de duas horas e meia. Aliás, escusam de ficar até ao final dos créditos, pois não há cenas extras anexadas após os mesmos. Essas encontram-se todas a meio do filme e são notoriamente dispensáveis.

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Contra todas as expectativas, o aspecto mais positivo disto até acaba por ser Ben Affleck como Batman, se bem que é a versão do personagem magicada por Frank Miller não para o Batman: The Dark Knight Returns (embora o filme faça referência directa a um par de cenas dessa mini-série) mas sim para o All Star Batman and Robin the Boy Wonder (sim, Ben Affleck basicamente interpreta “the goddamn Batman”), o que poderá chocar alguns espectadores. Gabe-se igualmente o intrépido acto final (embora recheado de CGI excessivo), que não irei referir em pormenor pois é certamente um dos spoilers cinematográficos mais marcantes do ano. Cuidado com essas internetes, portanto.

Lamentavelmente, esta grande aposta para o futuro da DC cinematográfica não se mostra além de um blockbuster que se vê bem a devorar pipocas (e tal não é eufemismo, pois o som constantemente ribomboso permite que o façam sem perturbar as pessoas ao lado), não obstante o facto de seguramente gerar uma divisão de opiniões tão grande (ou maior) que aquela resultante do Homem de Aço.

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À excepção do desempenho de Jesse Eisenberg enquanto Lex Luthor. Creio que todos nós concordaremos que é uma prestação miserável.

Classificação: 5/10
Pedro Nora

  Edições Marvel da Panini Julho 2020

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