Cinema: Crítica – As Mulherzinhas

Quando Louisa May Alcott publicou As Mulherzinhas em 1868, estaria longe de imaginar que a sua obra seria um dos livros mais adaptados para cinema e televisão, contando já com mais de 14 adaptações, inclusive a mais recente da argumentista e realizadora Greta Gerwig.

Seguimos a história de Jo March (Saoirse Ronan), uma rapariga que vive em Nova Iorque, a perseguir o seu sonho de ser escritora, vendendo histórias para um jornal. A certo dia, ela recebe uma carta da sua família, a dizer que a sua irmã, Beth (Eliza Scanlen), está doente e que ela precisa de voltar a casa.

Recuamos sete anos para conhecer a vida de Jo com as suas irmãs, Beth, Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh), na pequena cidade de Concord, em Massachusetts. As dificuldades financeiras, familiares e o convívio com os rapazes reinam na irmandade reinam, e o dia seguinte é sempre uma surpresa.

Considerando que é um filme de época, Gerwig faz um esplêndido trabalho em tornar a adaptação do clássico literário num filme bastante acessível com um grande valor de entretenimento. O espectador acompanhando a vida de cada uma das irmãs e como reagem juntas, numa variedade de situações familiares; não obstante de os rapazes, na forma de Laurie (Timothée Chalamet), John (James Norton) e Friedrich Bhaer (Louis Garrel), que acabam por tornar tudo um pouco mais complicado.

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Existe uma sensibilidade muito específica na abordagem deste filme, que em conjunto com o cinematógrafo Yorick Le Saux, mostram de forma encantadora os mundos d’As Mulherzinhas, seja em Nova Iorque, numa cidade cheia de movimento, seja em Paris, com todos os detalhes da alta sociedade; seja em Concord, onde o conforto do lar é visível. O tão importante guarda-roupa aqui faz uma enorme diferença ao proporcionar uma recriação vinda duma cápsula do tempo.

Enquanto Saoirse Ronan é uma actriz favorita de Greta Gerwig, mostrando novamente um talento incrível e versatilidade, Florence Pugh está lado-a-lado da sua outra interpretação do ano em Midsommar, provando porque que é uma das jovens actrizes que devemos prestar atenção. O elenco inclui ainda Emma Watson, sempre bem-vinda a qualquer elenco e Eliza Scanlen, que tem conquistado os telespectadores na série da HBO, Sharp Objects.

A história intemporal volta a ganhar vida numa nova versão d’ As Mulherzinhas que poderá ser a sua derradeira versão. 151 anos depois de ter lançado o livro, são muitas alegrias e emoções, que Louisa May Alcott  teria ficado orgulhosa em ver no ecrã .

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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