Cinema: Crítica – Artemis: Hotel de Bandidos (2018)

Neste tímido início de Verão chega-nos às salas de cinema Artemis: Hotel de Bandidos, filme escrito e realizado por Drew Pearce, sendo esta a primeira longa-metragem do conhecido argumentista de filmes como o Missão Impossível: Nação Secreta.

Em Artemis: Hotel de Bandidos, Pearce conta-nos uma história que decorre no dia 21 de Junho de 2028, numa Los Angeles em alvoroço onde a multidão sai à rua num motim geral. No centro desta confusão citadina encontra-se o Hotel Artemis, gerido pela enfermeira Jean Thomas (Jodie Foster), local que serve de porto de abrigo e enfermaria exclusivamente para bandidos.

Depois de um assalto que não corre como o esperado, Sherman Atkins (Sterling K. Brown) terá de levar o seu irmão ferido para o hotel, para que este consiga sobreviver aos ferimentos. Aqui, irá deparar-se com personagens perigosas e situações que irão colocar a sua vida e a do hotel em risco, naquela que é vista como a noite mais agitada na história deste estabelecimento.

Comecemos pelo melhor que o filme tem para oferecer – o casting. O filme está recheado de excelentes e competentes actores/actrizes que elevam o argumento do filme. Os já mencionados Jodie Foster e Sterling K. Brown demonstram o motivo de serem actores galardoados. Nos papéis secundários, temos Dave Bautista, com a personagem com mais momentos de comédia do filme, Sofia Boutella, que tem a melhor cena de acção do filme,  Jeff Goldblum, que… Bem, é Goldblum, não há muito mais a acrescentar. A única carta fora do baralho será justamente a personagem de Charlie Day, que tem um papel unidimensional e demasiado caricatura que apenas se destaca pelos piores motivos.

Todo o espaço cénico em que as personagens contracenam está bem conseguido, especialmente o hotel em si. A mobília de hotel dos anos 80 em contraposição com a tecnologia futurística oferecem ao Artemis um look inovador e, de certa forma, com um certo estilo rock n´roll. A vontade de deambular-mos nós próprios pelo hotel é mais que muita.

Porém, não conseguimos desligar o botão que nos alerta de que já vimos o conceito deste filme em algum lado, sendo a comparação mais evidente ao caso de John Wick. Essa saga também tem um hotel somente para bandidos, de seu nome Continental, que tem certas regras que os ocupantes devem cumprir, tal como ocorre no Hotel Artemis. Assim, o que é que este filme oferece de novo que o faça destacar-se dos seus, digamos, “concorrentes”? Bem, sinceramente, nada…

O filme demora um pouco a perceber a história que pretende contar, sendo que se divide entre uma variedade de personagens e pluralidade de histórias, não chegando a aprofundar nenhuma em particular. Por esse motivo, existe demasiada exposição narrativa feita maioritariamente por diálogos entre as personagens, o que afecta o ritmo do filme e atrasa a acção, que tem mais afinco nos últimos minutos do filme. Nada impressiona de forma gloriosa, no que diz respeito à história e/ou à acção do filme. Nem mesmo o realizador tem um cunho próprio para oferecer, que colocasse o filme noutro nível.

Em suma, Artemis: Hotel de Bandidos é um filme que joga demasiado pelo seguro mas que consegue entreter quem o vê. Tem um conceito interessante, porém pouco original para os dias de hoje. É um filme curto que se resguarda nos excelentes actores e suas performances, tornando a estadia neste hotel uma experiência momentaneamente agradável.

 

“ There´s no water in LA, but it´s raining assholes in here”

 

  • Artemis: Hotel de Bandidos estreia dia 5 de julho nos cinemas

3,5 / 10

João Borrega

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