Cinema: Crítica – Alice, Nova Iorque e Outras Histórias (2020)

O cinema português por vezes necessita de novas ideias e novas caras para destacar futuros talentos, e talvez, Alice, Nova Iorque e Outras Histórias, a mais recente longa-metragem de Tiago Durão, produzida e protagonizada por Sofia Mirpuri, pode ser o inicio de uma nova era do cinema nacional com esta produção luso-americana.

Alice Maia (Mirpuri) é uma jovem que está grávida do seu namorado recentemente falecido, que decide fugir de Portugal para Nova Iorque em busca de um recomeço, ficando em casa da sua melhor amiga Ana (Madalena Mantua). Esta rapidamente descobre que o sonho americano não passa de uma fantasia, onde seguimos as vidas de um enorme conjunto de personagens, que demonstram o quão caótico a cidade é.

Logo de inicio somos introduzidos a estas personagens, individualmente, mostrando a diversidade da loucura que estamos prestes a ver. Este mesmo narrador pede ao espectador para encarar a história como o conto de Alice no País das Maravilhas, um pedido grande, mas que vale a pena dar o benefício da dúvida.

Na verdade, estamos perante um conto fortemente inspirado nos filmes de Woody Allen, tal como a cidade da Grande Maçã assim o pede, as histórias que acompanhamos também elas sofrem dos seus próprios amores e dramas, tiradas das páginas de romances adolescentes e revistas pulp do meio do século passado, que faziam furor com o público adulto e juvenil. É decerto um traço que faz destacar doutras obras, a sua abordagem não-tradicional à narrativa, o que torna as coisas, na sua grande maioria, interessantes.

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Durante as duas horas de película, vemos sobretudo novos talentos a surgirem e a mostrar as suas primeiras cores, com Tiago Durão e a sua equipa técnica a arriscar com algumas escolhas artísticas menos usuais, mas que são o centro do cinema independente puro. É de tanto admirável, que não seria surpreendente se Alice, Nova Iorque e Outras Histórias acabasse por ser um filme de culto na sua própria maneira, com um público de nicho a apreciar o filme à medida que o tempo passasse, tal como um bom vinho.

Assim,  Alice, Nova Iorque e Outras Histórias pode não seguir os moldes do costume, mas jamais se envergonha por mostrar a sua personalidade e com ele uma obra merecedora de ser apreciada pelas suas ideias e o seu elenco multicultural de novos talentos, podendo não cair bem naqueles que procuram um filme ao estilo de Hollywood.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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