Cinema: Crítica – À Procura de Dory (2016)

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2003. A Pixar está a um passo de dominação mundial. À Procura de Nemo conquista o maior dos humanos até ao mais pequeno dos ácaros. Explode com a bilheteira de animação até Toy Story 3 o destronar. Assegura-se como o DVD mais bem vendido do mundo, com cerca de 41 milhões de cópias vendidas.[fbshare]

Mais importante que isto tudo? Bugs Bunny referiu o seu nome no muito subvalorizado e hilariante, Looney Tunes: Back in Action do lendário Joe Dante.

2016. A Pixar não é o mesmo monstro de outrora. Sobreviveu a um feroz combate com a Disney, sofreu a perda de Joe Ranft (um dos pilares do estúdio), encarou projectos cancelados e desilusões tanto na bilheteira como com os críticos.

Do que é que eu estava a falar?

Ah, sim! E aqui temos À Procura de Dory – a mais recente sequela da Pixar que nos traz um novo capítulo debaixo de água, dando-nos a oportunidade de ver novamente Merlin (Albert Brooks), Nemo (Hayden Rolence) e claro, Dory (Ellen DeGeneres) na sua aventura à procura dos pais. E se Zootopia era Walter Hill e Shane Black para os mais pequenos ao servir uma fatia em forma do género buddy cop, À Procura de Dory é o equivalente mas com Christopher Nolan, Memento e o seu uso ao flashback.

E porquê flashback? Porque, recordo, que Dory sofre de perdas de memória a curto-prazo.

Sendo um filme da Pixar, o elenco e as personagens estão praticamente garantidas a ficar na nossa cabeça a caminho de casa. Seja Hank (Ed O’Neill), um polvo com um simples, mas complicado objectivo; um tubarão-baleia e uma baleia branca (Kaitlin Olson e Ty Burrell) com algumas diferenças, duas focas super territoriais (Idris Elba e Dominic West) e Sigourney Weaver.

Entre elas, estas personagens arrancam de nós um balanço perfeito entre alegria, tristeza, excitação, empatia e saudade. Aliás, é neste mesmo equilíbrio entre emoção e acção  que a Pixar vence mais vezes do que perde – e acreditem, o filme arranca e mantém um ritmo rápido, que sabe quando mudar as mudanças e onde, como e quando parar para tocar na nossa harpa emotiva, um feito partilhado tanto pelas maravilhas tecnológicas da Pixar como pelo elenco e pelo argumento do realizador Andrew Stanton e Victoria Strouse.

Por todas as maravilhas do argumento, surgem alguns buracos na estrada, principalmente no último acto, que é um verdadeiro peixe-fora-de-água e um alto contraste em todo este universo, que prova que não se pode atirar o manual de regras pela janela fora só porque temos peixes que falam. Uma conclusão que desilude (ao mesmo tempo reciclando os dois primeiros Toy Story) para uma história que é uniformemente, bem contada.

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Mas uma maçã podre não estraga o resto da colheita e o que aqui temos é mais um triunfo do estúdio de Emeryville, Califórnia, que nos serve um memorável conjunto de fotogramas que reproduzidos à velocidade habitual nos dão mais uma memorável experiência.

Será melhor do que À Procura de Nemo? Quem sou eu para dizer. Honestamente, a última vez que vi o primeiro foi no seu lançamento (e em nada fui prejudicado pela falta de memória que impus a mim mesmo).

E agora, lembrem-me, do que é que estávamos a falar?

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Tiago Laranjo

 

 

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