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Cinema: Crítica – A Luz do Diabo (2022)

Daniel Stamm não é um realizador estranho a exorcismos. O seu primeiro filme é o aclamado O Último Exorcismo, que contribuiu de muitas formas para o sub-género do found footage e documentários fictícios. Mesmo 13 Pecados, lançado poucos anos depois, estabeleceu-o como um dos nomes a reconhecer dentro do terror. Após algumas participações em séries, Stamm realiza A Luz do Diabo (a Luz do Demônio, no Brasil), que lhe leva novamente até à temática dos exorcismos, mas de uma outra maneira.

Ann (Jacqueline Byers) é uma jovem freira que é enfermeira numa escola de exorcistas, um local onde jovens padres vão aprender todas as competências para responder ao aumento de pedidos. Ainda que as freiras estão proibidas de fazer exorcismos, Ann tem uma série de habilidades, que faz com que queira ser a primeira mulher a estudar o tema. Pelo meio, esta depara-se com o desafio de uma vida, na forma de Natalie (Posy Taylor), uma criança que poderá estar possuída.

Uma vez que a premissa base está construída, seria fácil as coisas enveredarem pelos caminhos previsíveis da narrativa, mas Stamm leva-nos por todo o processo complexo e detalhado no que é preciso para ser um exorcista de verdade, fiando-se muito proximamente do universo que cria em sua volta. Descobrimos os cantos da escola, as salas de aula, as celas, e as histórias que fazem daquele lugar sagrado. Paralelamente, acompanhamos a protagonista na sua nova jornada, disposta a provar a tudo e todos que o seu lugar é ali.

Também existe oportunidade de explorar uma parte da história de Ann, ou pelo menos o que lhe levou a seguir a sua vida como freira e, mais tarde, como enfermeira tornada estudante de exorcismos, e como está tudo ligado com os casos que a escola tem que abordar. É uma personagem empática com uma narrativa florescente de detalhes que nos mantém relativamente cativos, ainda que constantemente jogue pelo seguro. Felizmente, não é sempre o caso, arriscando muito no último acto em prol de ser um finale emocionante, onde poderia ter deitado tudo por água abaixo, mas consegue seguir pelo lado oposto.

A Luz do Diabo era um filme que tinha tudo para passar de despercebido pelas estreias, mas há possibilidade de encontrar aqui um filme acima da média dentro do género, levando também a possibilidade de ter direito a sequelas. Pelo menos é essa a vontade que ficamos depois do final do filme, vendo por que caminhos exorcistas podem ser levadas estas personagens e estas histórias.

Nota Final: 7/10

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