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BD: Análise: Orwell, de Pierre Christin e Sébastien Verdier

Orwell, dos franceses Pierre Christin e Sébastien Verdier é mais um lançamento da Ala dos Livros que vocês vão querer adicionar à vossa bedeteca?

orwellEric Arthur Blair, foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, que ficou para sempre imortalizado com o pseudónimo de George Orwell, cujas obras maiores são A Quinta dos Animais (ou “Triunfo dos Porcos”), lançando em 1945, ou o seminal 1984, que saiu um ano antes da sua precoce morte com 46 anos, em 1949. Estas duas obras que aqui falei continuam até aos dias de hoje a ter inúmeras adaptações e ainda este ano tivemos novos lançamentos ora em banda desenhada, ora em livro ilustrado.

Mas agora foi mesmo a sua própria vida que foi contada neste romance gráfico escrito por Pierre Christin e ilustrado por Sébastien Verdier, num livro essencialmente a preto e branco mas com várias páginas e apontamentos a cores. Aqui ficamos a descobrir um pouco do seu passado, da sua vontade de escrever, mas essencialmente os eventos que aguçaram a sua consciência critica social e que deixou transpirar para os seus escritos.

Além das cores que salpicam aqui e ali, alguns momentos do enredo são também “cortados” por extractos da própria escrita de George Orwell (facilmente identificáveis com uma fonte que imita uma máquina de escrever), marcando algumas posições importantes que o argumentista quis destacar de Blair, e que também acabam por dar variedade e marcar mais autenticidade à situação em que o escritor inglês se deparava em determinados momentos da sua vida.

O traço limpo e sóbrio de Verdier é irrepreensível. Desde o grande detalhe e realismo dos cenários, ao uso do preto nas sombras e contrastes. O seu traço limpo, elegante e sóbrio é sem margem de dúvida o ponto alto deste álbum. Quanto a mim nem havia necessidade dos artistas convidados André Juilard, Olivier Balez, Manu Larcenet, Blutch, Juanjo Guarnido e Enki Bilal que pouco ou nada trazem de melhor à obra. Como contra só tenho mesmo que dizer que alguns dos apontamentos coloridos parecem meio aleatórios. Uns são claramente destaques incondicionais, mas outros confesso que não compreendi o seu significado, se é que têm. Já as pranchas de arte sequencial totalmente coloridas das páginas 34 à 38 e 42 à 43, pareceram-me despropositadas e bem mais fracas que o global.

“Orwell” funcionará muito bem como um documento sobre a vida de um enorme vulto e a importância que ele ainda tem 70 anos depois da sua morte, mas deverá agradar mais àqueles mais distantes da banda desenhada, ou aos leitores ocasionais do que propriamente aos fãs do género habituados a um outro tipo de ritmo e narrativa mais envolvente e atractivo. Mas isso acontece com frequência em quase toda a BD biográfica. No cinema deste género vemos muitas vezes partes mais romantizadas ou dramatizadas para aumentar a atenção do espectador, mas nas histórias aos quadradinhos isso não acontece tantas vezes, o que torna a leitura mais monótona a desinteressante. E é isso acontece nesta obra, que apesar da sua relevância global acabou por me fazer bocejar algumas vezes.

A edição nacional é mais um objecto notável da Ala dos Livros, desde os acabamentos da capa até à qualidade e gramagem do papel. Está bem legendado, e tem uma óptima e fácil abertura, algo que acho muito importante, principalmente nos livros de capa dura. E para rematar, o clássico marcador de páginas em tecido, que também já tinha sido usado no Burlão das Índias.

Argumento: 6
Arte: 8.5
Legendagem: 8
Veredito final: 7

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