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BD Análise: La Fortune des Winczlav (ed. francesa da Dupuis)

Foi com muito agrado que li os dois primeiros tomos de “La Fortune des Winczlav” que nos traz nada mais nada menos do que a origem da fortuna da qual Largo Winch é o herdeiro. 

Jean Van Hamme (Thorgal, XIII, Largo Winch…)

continua a presentear-nos com estas maravilhas mesmo com idade avançada. Nesta história, o autor traz-nos a saga familiar dos Winczlav bem ao estilo do que fez na série “Os Mestres cervejeiros”. Ora para quem não leu, o que posso dizer é que a saga é cheia de reviravoltas, traições, mistérios, ação, surpresas, casamentos, divórcios , mortes e nascimentos ao ritmo mais frenético do que uma telenovela mexicana dobrada em português do Brasil 😅

Numa série planeada para ter três volumes, o primeiro começa em 1848 em Montenegro com o primeiro personagem Vanko Winczlav. 

La Fortune des Winczlav

Após o autor nos dar uma célere localização temporal, geográfica e económico-social que muito bem nos ambienta na história, o personagem é um jovem médico idealista que toma partido da insurreição camponesa contra a tirania do Principe-Bispo Njegos e os seus aliados otomanos. Já em fuga, ele conhece Veska, uma jovem búlgara escravizada numa pousada, e embarcam juntos para o Novo Mundo onde acabam por casar pelo caminho para que a jovem obtenha os seus documentos. 

Chegando a Nova Iorque, Vanko arranja trabalho como “enfermeiro“ numa clínica privada pois não tem licença de doutoramento no país. Algum tempo depois Veska dá à luz o pequeno Sandor que ela se recusa a criar e o casal separa-se. 

Após um novo relacionamento de Vanko com uma enfermeira de seu nome Jenny, da clínica onde trabalha, este vai a tribunal por acusações de prática ilegal e negligente de medicina que resultou na morte de uma utente num parto. O ritmo é acelerado e quando Vanko é preso por assassinato deixa já dois filhos adultos para se defenderem sozinhos na vida após a morte de sua mãe . 

La Fortune des Winczlav
Pagina interior do primeiro tomo de La Fortune des Winczlav

Seguimos o destino dos vários descendentes de Vanko alternadamente, ao mesmo tempo que, engenhosamente, Van Hamme faz aparecer algumas celebridades como o rei das máquinas de costura Singer, Buffalo Bill, Annie Oakley, Louis Blériot, entre outros.

No segundo volume…

começamos já em 1910 com os descendentes Tom e Liza numa aventura que continua frenética com cada vez mais ação a decorrer. O ritmo alucinante faz com que não se consegue parar de ler. Aqui, acompanhamos os acontecimentos históricos dos Estados Unidos neste período. A narrativa dá-se em dois níveis diferentes: na Europa com a Primeira Guerra Mundial e nos E.U.A. com a ascensão da lei seca e o aparecimento dos gangsters e da máfia italiana. Como não quero estragar a leitura a ninguém vou apenas dizer que o episódio termina em 1933 com o nascimento de Nerio Winch . Este último é o pai adoptivo de Largo Winch. 

La Fortune des Winczlav  2

Van Hamme (não confundir com Van Damme que esse é o das patadas rotativas aéreas 😅), continua em excelente forma nos seus argumentos, apesar de repetir um ou outro artifício que quem leu as suas obras vai reconhecer, cativa e entretém na melhor das maneiras. A crítica que posso também fazer é que sendo uma história para três álbuns, a narração é muito veloz o que comprime ao extremo todos os acontecimentos e mal nos habituámos a uns protagonistas, estes estão já a ser substituídos por novos.

Esta situação priva-nos por vezes de criar alguma empatia nesta panóplia de personagens. Também acontece que entre algumas vinhetas e outras, há saltos temporais de alguns anos que o leitor terá que subentender pois o intervalo de tempo da história é muito amplo. 

La Fortune des Winczlav
Pagina interior do segundo tomo de La Fortune des Winczlav

Ao desenho temos Filipe Berthet (Pin Up,Nico…)

que com a sua linha clara clássica, refinada e bem iluminada se adequa muito bem a esta série. O seu design é muito elegante e atrevido com as suas mulheres bem atraentes e os homens bem canastrões. A nível técnico e dos cenários percebemos que é um mestre em ação com cores bem aplicadas e de uma paleta bem ampla sempre bastante atractiva.

No entanto não o suprime de algumas críticas: os desenhos são um pouco estáticos e pouco dinâmicos aquando das cenas de ação; as mulheres e homens começam a ser muito semelhantes quando o número de personagens começa a crescer ou estes começam a envelhecer, tornando difícil reconhecer os mesmos.

Outra coisa que não gostei foi a distribuição das vinhetas nalgumas páginas, em especial as que aparece um grande plano angular a ocupar toda a parte direita da página que nos leva a uma má interpretação da leitura da esquerda para a direita e dando nos “spoilers“ inadequadamente. 

Posto isto, recomendo vivamente esta leitura original da editora francesa Dupuis , que é uma maravilha para os leitores apreciadores dos autores e uma forma boa de entrada para quem não conhece. De nada meus amigos 😅.

Aproveito para dar um piscar de olhos à editora Asa que por Portugal nos privilegiou com a série do Largo Winch e provavelmente ainda será detentora dos direitos, que poderia e deveria continuar a mesma, lançando também esta trilogia fantástica para brindar os fãs do Franco-Belga. 

Boas leituras 💪

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