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Análise — O Homem de Toronto (Netflix)

Enredo ‘chapa cinco’, guião insosso e ação enfadonha. Que entrem as estrelas para salvar o serão. “O Homem de Toronto” é uma nova proposta de filme da Netflix!

Teddy (Kevin Hart) é um empreendedor verdadeiramente idiota — ideias não lhe faltam, mesmo que sejam todas más. Farto de desiludir a namorada, Lori (Jasmine Mathews), Teddy tenta surpreendê-la ao organizar uma escapadinha só para os dois, mas para não variar, volta a meter o pé na poça e engana-se na cabana que tinha reservado.

Para piorar uma situação já de si chata, a cabana em que entra pertence a um grupo de criminosos que o confunde com o assassino mais infame do momento: o Homem de Toronto (Woody Harrelson). Como se não bastasse, o FBI junta-se à festa e também acaba por fazer asneira ao deixar que Teddy acompanhe os criminosos para fora do país, onde é salvo pelo Homem de Toronto, na tentativa de perceber que raios se está a passar.

Está assim montada a premissa da história: o empreendedor azarado e o assassino implacável unem esforços para tentar sobreviver e passam por diversas peripécias enquanto investigam a situação e se esquivam a vários perigos, muitas vezes na forma de outros homens de outras cidades.

Que acontecerá a Teddy assim que o Homem de Toronto já não precisar dele? Terá o assassino sido traído? Haverá esperança para uma alma perdida?

Este original Netflix teve a sua estreia a 24 de junho de 2022, com realização de Patrick Hughes. O argumento foi escrito por Robbie Fox e Chris Bremner, com base numa história original de Jason Blumenthal. Kevin Hart e Woody Harrelson lideram um elenco que conta ainda com Jasmine Mathews, Kaley Cuoco e Ellen Barkin, como nomes mais sonantes.

Estou seguro de que as perguntas que deixei acima serão facilmente respondidas a quem vir os primeiros 15 minutos do filme. Não é que todas as histórias tenham de ser originais, mas, se é para produzir um enredo já batido de sobra, convém não vacilar na sua construção. O Homem de Toronto falha, na minha opinião, neste campo. Terminei o filme sem ver nada de novo ou excecional.

Não digo que O Homem de Toronto seja um filme horrível. Embora esta opinião abunde entre a crítica (25% no Rotten Tomatoes, 5.7 no IMDB), não a partilho totalmente. Trata-se de um filme que conta com obviamente com algum investimento na produção e que, sejamos justos, entretém. Porém, também não creio que alguma prateleira vá alguma vez exibir um troféu com a placa O Homem de Toronto.

Mas nem tudo está perdido! Não nos esqueçamos de que estamos a falar de Kevin Hart, um titã do humor, e de Woody Harrelson, de quem sou fã incondicional. Os fracos diálogos e história são, de alguma forma, compensados pelo desempenho da dupla.

Infelizmente, penso que tenho de ficar por aqui no que toca aos pontos positivos.

Quanto aos aspetos negativos, tenho de referir, sem dúvida, o fraco enredo e a sua previsibilidade. Não me consegui envolver na história e adivinhei o desfecho com um tal grau de exatidão que não me espantaria que o processo de escrita tivesse sido: copiar, colar, editar.

Já há algum tempo que noto uma baixa de qualidade nos originais Netflix, algo que não me parece ser exclusivo, já que confirmo que esta opinião é partilhada pela maioria das pessoas de cada vez que abordo a questão. O Homem de Toronto não contribuiu para eu mudar de opinião… pelo contrário.

Classificação: 5/10

Uma nota negativa não seria descabida, mas não sei se seria totalmente justa. O filme não falha propriamente no que toca a efeitos visuais, fotografia e demais aspetos da produção. Apenas não apresenta nada de novo ou empolgante, em que os coprotagonistas sempre conseguem abrilhantar o humor e dar um pouco de graça a um título de ação algo insípido.

Também me parece pertinente responder a uma última questão: o filme entretém? Penso que sim e que as pessoas vão vê-lo até ao fim, mesmo que se esqueçam de que o viram assim que começarem a rolar os créditos finais.

Trailer O Homem de Toronto:

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