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Análise jogos: Hunt the Night

Hunt the Night

De crucifixo em riste, o Central Comics enfrentou os terrores que as trevas albergam em Hunt the Night. Eis o que descobrimos.

Sinopse de Hunt the Night

Em Hunt the Night, vestimos a pele de Vester, uma caçadora que faz parte de uma ordem com a missão de combater o mal que se abate sobre o mundo e ameaça destruir a humanidade. No vasto reino de Medhram, enfrentamos terríveis monstros de todos os tamanhos e feitios num mundo desenhado ao pormenor com estilo retro. A Moonlight Games desenvolveu este frenético RPG de ação distribuído pela DANGEN Entertainment.

Estilo bonito e imersivo.

Análise de Hunt the Night

É difícil conseguir recriar uma atmosfera de terror credível num videojogo, e os que o tentam fazer, regra geral, espalham-se ao comprido e conseguem meter-me menos medo do que a antecipação de um jantar com os sogros. Não é o caso de Hunt the Night. Esta espécie de souls-like pixelizado com toques de RPG consegue realmente transportar-nos para um mundo de trevas e agonia, do qual tentamos desesperadamente sair. O problema é que o desespero em sair é também o que senti em relação ao jogo quando me deparei com a jogabilidade.

A narrativa de Hunt the Night é coerente, bem apresentada e insere-se bem no género. Não sendo uma história candidata ao Pulitzer, é suficientemente profunda para me fazer crer que estou naquele mundo a combater forças do mal, sendo constantemente lembrado disso pelo lore que nos vai sendo entregue na forma de penas, que vamos recolhendo ao longo do jogo.

E chegamos à parte da jogabilidade… É aqui que Hunt the Night tem as suas maiores falhas. Já o tinha referido e volto a fazê-lo: a jogabilidade é, quase invariavelmente, o aspeto mais importante num videojogo. A história é um bónus que nem sempre é relevante, podemos sempre desligar o som, e os gráficos raramente nos ferem os olhos ao ponto de querermos sair do jogo, mas se a jogabilidade for má, das duas uma: ou não é um jogo, ou é um jogo mau. É como quando vão a um restaurante — podem usar os condimentos que quiserem, apresentar o prato pintado a ouro e trazido por um empregado de mesa que nos descreve pormenorizadamente todas as Regiões Demarcadas para a produção de vinhos em Portugal, mas se vos servirem sola de sapato, não papam aquilo nem que vos paguem. Mas calma, que Hunt the Night não é sola de sapato… é mais uma lasanha do LIDL aquecida no micro-ondas quando estamos à espera de um fondue de queijo servido à boca pela Monica Belucci — não é o fim do mundo, mas a desilusão é inevitável. O jogo está pensado praticamente apenas para controlador e achei que o loop acaba por ser demasiado simples e repetitivo.

No campo dos gráficos e do som, tenho sentimentos mistos, mas com um balanço positivo. Ambos acompanham a narrativa quase na perfeição, contribuindo muito para a imersão. No entanto, por vezes, achei os efeitos e as animações um pouco patetas, remetendo-me mais para uma atmosfera gore humorística ao estilo de A Noite dos Mortos Vivos, do que para um verdadeiro cenário de terror.

No geral, a minha experiência foi positiva, mas há decididamente espaço para melhorias.

Jogabilidade torna-se repetitiva.

+++

O estilo e a imersão.

A jogabilidade, mais especificamente o facto de esta tornar o jogo repetitivo e inevitavelmente aborrecido.

Algumas animações são patetas.

Classificação: 6/10

Hunt the Night proporciona entretenimento durante algumas horas. Imagino que os fãs dos géneros em que se insere conseguirão espremer ainda mais um pouco do jogo. Porém, no geral, penso que este título é puxado para baixo por algumas arestas por limar.

Hunt the Night está disponível no Steam por 19,50 €, o que também não lhe valeu pontos na classificação por estar uns 5-10 € acima do que estaria disposto a pagar.

Para terminar, fica a dica indispensável: não subestimem a lasanha do LIDL.

Plataforma testada: PC

Trailer de Hunt the Night:

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