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Análise BD: QUANDO SOUBE QUE ERA GAY

A infindável busca por novas faixas de leitores, por parte dos editores portugueses de banda desenhada. Leiam aqui a análise do livro de Eleanor Crewes: Quando Soube que Era Gay.

Ainda recentemente, o termo Banda Desenhada era facilmente identificável por qualquer leitor. Estamos a falar de algo que se vulgarizou nos jornais do início do século XX, composto por uma tira de desenhos com texto por debaixo. Era o período das “histórias em quadrinhos”, como José Ruy gostava de chamar. O texto entretanto passou para dentro das tiras, que posteriormente perderam a sua rigidez e as vinhetas passaram a ter todo e qualquer formato que o autor queria. A Banda Desenhada tinha atingido a idade adulta e já não era apenas para crianças. Por todo o mundo cada vez mais se procuravam novos tipos de associações entre o texto e o desenho. A Mangá foi um deles e a Novela Gráfica foi outro. A razão fundamental é a mesma de todo o tipo de literatura: ser original e conquistar novos leitores!

Vem isto a propósito do lançamento do livro de Eleanor Crewes “Quando Soube Que Era Gay, por parte da editora IGUANA. Na verdade, no Amadora BD de 2022, a editora prometia agitar o mercado da banda desenhada portuguesa, mas as ondas ficaram na Nazaré e a agitação não surge. Nem mesmo com este livro que, apesar de surgir identificado como Novela Gráfica, é mais uma memória ilustrada. Melhor dizendo, é uma mistura entre páginas de um diário e páginas de um sketchbook.

Eu sei que atualmente as definições são cada vez menos rígidas e que a designação Novela Gráfica pode ter muitas interpretações, mas neste livro não temos praticamente arte sequencial. Esta primeira obra da autora inglesa não é mais do que uma segunda adaptação de um fanzine, que inicialmente era feito à mão e entregue por ela em várias livrarias. A grande procura do fanzine fez com que surgisse uma primeira versão do livro, que mais tarde foi expandida para esta atual edição. E, aparentemente, a obra sofreu com as dores de crescimento.

O grande problema do livro é que pretende ser uma autobiografia, em que a autora nos conta as suas dúvidas e as suas respostas ao longo da descoberta da sua sexualidade. Porém, tudo é tratado duma forma demasiado superficial e muito fragmentada. Há demasiadas pontas soltas. O livro é lido rapidamente, pois são muitas as páginas em branco, ou só com uma linha ou um desenho, o que cria uma dinâmica de folhear o livro em grande velocidade. O desenho é muito simples e direto que resulta numa daquelas situações em que ou se gosta ou se detesta.

A própria autora refere que o livro não é um manual, mas que gostaria de o ter encontrado quando era jovem, para a ajudar na sua própria descoberta. Talvez aí seja uma aposta a considerar, bem como para quem queira um livro de leitura fácil e rápida.

Livro em capa mole com muito boa encadernação, com páginas em papel baço de boa qualidade e excelente impressão a preto e branco. Preço um pouco elevado atendendo para o livro em causa.

Tempo de leitura:

  • Quando Soube que Era Gay – aproximadamente 35 minutos

A IGUANA, tal como outras editoras, parece querer conquistar uma faixa de leitores que procuram livros de temática queer. Apesar dos muitos destaques e nomeações referidos nas badanas, antes de comprar, aconselho uma vista de olhos por outras propostas que já existem no mercado.

Como curiosidade, refira-se que acho a tradução do título português (“Quando Soube Que Era Gay”) bem melhor do que a do título espanhol (“Todas Las Veces Que Salí Del Armario”).

Quando Soube que Era Gay

QUANDO SOUBE QUE ERA GAY

Eleanor Crewes
Editora: IGUANA
Livro em capa mole com 320 páginas a preto e branco nas dimensões de 15 x 23 cm
PVP: 16,65 €

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