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Séries: Análise — A Maldição dos Chippendales

Uma série documental sobre crimes verídicos que despe de pudor a excitação, a fama, a ganância e a desgraça do mundo do striptease masculino. TV Cine revela-nos A Maldição dos Chippendales.

Entre o final dos anos 70 e o início da década de 80, a música disco estava no seu apogeu, enchendo os coloridos clubes noturnos no mundo inteiro de pessoas em busca da emoção de dançar ao ritmo frenético que as novas melodias impunham.

Esta foi também uma era de descoberta e restabelecimento dos limites da liberdade, com as pessoas a desbravarem novas fronteiras sexuais. Nesta época, a exploração do corpo masculino era algo praticamente inédito, até que um determinado clube de Los Angeles decidiu arriscar ao apresentar algo extravagante: striptease masculino.

Após afinar o conceito, as coreografias e a imagem (que não dispensava os icónicos colarinhos e punhos de camisa), este revolucionário grupo de dançarinos fortemente inspirados nos modelos de sensualidade feminina já existentes começou a arrastar multidões de mulheres sedentas de diversão dirigida exclusivamente a um público feminino. Assim nasceram os Chippendales.

Ao longo de quatro episódios é-nos recordada a ascensão e a queda da mais célebre trupe de striptease masculino. Os primeiros tempos de entusiasmo e de expansão de Los Angeles para o mundo inteiro depressa se deparam com problemas e concorrentes que revelam toda a ganância e paranoia que acabam por resultar em crime.

Através de entrevistas a alguns dos intervenientes, a série despe os preconceitos e as ilusões que cobrem as vidas destas pessoas, e põe a nu a dura realidade que tiveram de enfrentar e as tragédias que que foram batizadas como A Maldição dos Chippendales.

A TV Cine Edition vai passar a série documental de Jonathan e Simon Chinn nos dias 30 e 31 de julho. A realização das quatro partes esteve a cargo de Jesse Vile.

Foi um bocadinho às cegas que me propus a ver A Maldição dos Chippendales. Após ler a sinopse, imaginei imediatamente uma versão Magic Mike em formato de série documental. Estava enganado…

A Maldição dos Chippendales é uma série sobre crimes reais que se encaixa no género na perfeição. Trata-se de uma série que consegue narrar os primórdios da indústria do striptease masculino enquanto explora os meandros da indústria sexual em várias vertentes — e isto apenas como introdução, já que o verdadeiro tema é a história de crime que ocorre neste meio.

No final do primeiro episódio senti-me embalado pela introdução a um mundo que desconhecia quase por completo, embora surjam algumas dicas de que nos espera algo sinistro mais para a frente. Foi muito interessante ver as origens do conceito de sensualidade que temos hoje, na generalidade, e de quão diferente era. Com o desenrolar da história, envolvi-me completamente no enredo narrado pelos intervenientes.

As entrevistas são bem pensadas, pertinentes e inseridas numa edição muito bem trabalhada que ajuda a dar sentido e estrutura a toda a série. Tudo parece pensado para, de forma inteligente, agarrar o espetador ao ecrã.

Quem gosta de histórias sobre crimes reais, tem aqui a promessa de um título que vale a pena ver. Toda a dimensão dos temas que se propõe abordar é muito interessante e executada de forma tecnicamente irrepreensível.

Se me perguntarem se já vi algum documentário sobre crimes reais mais interessante, respondo que sim, sem dúvida. Mas penso que este título também traz para a mesa a curiosidade de entrar num mundo raramente explorado. Posto isto, se a pergunta passar a ser se já vi algum documentário sobre crimes reais e strippers masculinos mais interessante, respondo que não.

Em A Maldição dos Chippendales, há que destacar, na minha opinião, três aspetos muito positivos que se complementam entre si: história/enredo interessante; execução técnica/edição impecável e inteligente; e originalidade do contexto.

No campo dos aspetos menos positivos, penso que se pode referir um pequeno paradoxo: sim, o tema é interessante e diferente enquanto curiosidade, mas não estamos propriamente perante a investigação do assassinato de JFK ou a explorar a mente de Ted Bundy, além de que também não se trata de uma megaprodução com meios para ombrear com os maiores títulos da sua categoria nos principais festivais.

Classificação: 7/10

A Maldição dos Chippendales é entretenimento puro. Penso que a série tem a capacidade de encher as medidas do público fã do género, e não creio que vá desiludir ninguém que decida passar o serão na companhia destes dançarinos e das suas histórias.

Quando muito, poderá abalar a confiança dos adeptos da barriguinha de cerveja, que terão de explicar à sua cara-metade porque é que não dançam e não têm um ‘six pack’ como os Chippendales — a minha teve de se contentar com um bem fundamentado «Os tempos eram outros, querida. Hoje, o que está a dar é o ‘dad bod’».

Trailer A Maldição dos Chippendales:

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