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Escorpião Azul anuncia três novas edições de banda desenhada

A editora portuguesa Escorpião Azul prepara o lançamento de três novos títulos de banda desenhada, com propostas que percorrem diferentes géneros e universos narrativos. Entre ficção científica, histórias sobre amizade e um western marcado pelo mistério, as novidades incluem obras como o Eternauta de 1969 de Héctor Oesterheld e Alberto Breccia, João Mascarenhas e João Amaral.

Os três livros têm edições previstas entre agosto e outubro de 2026, reforçando a aposta da editora na banda desenhada nacional e internacional.

O Eternauta 1969, de Héctor Oesterheld e Alberto Breccia

O Eternauta 1969

Um dos grandes destaques é O Eternauta 1969, uma obra assinada pelo argumentista Héctor Oesterheld e pelo desenhador Alberto Breccia, dois nomes fundamentais da história da banda desenhada argentina.

A narrativa começa com quatro amigos reunidos num sótão para jogar às cartas, enquanto a neve cai sobre Buenos Aires. O que parecia ser uma noite tranquila transforma-se rapidamente num cenário de terror, quando descobrem que está em curso uma invasão mortífera: forças extraterrestres estão a apoderar-se da América Latina. As horas seguintes serão decisivas para a sobrevivência dos protagonistas e para a possibilidade de enfrentarem o exército invasor.

Héctor Oesterheld: um dos grandes argumentistas argentinos

Nascido em Buenos Aires, em 1919, Héctor Oesterheld é considerado um dos mais importantes argumentistas da banda desenhada argentina. Com uma carreira extensa, começou a publicar as suas histórias durante a década de 1950, colaborando com vários desenhadores de referência.

Entre os seus trabalhos mais conhecidos encontram-se as séries Sargento Kirk (1953-1957), Ticonderoga (1957-1958) e Ernie Pike (1957-1959), realizadas em colaboração com Hugo Pratt. Com Francisco Solano López criou aquela que viria a ser a sua obra mais célebre, El Eternauta (1957-1959).

A colaboração com Alberto Breccia deu origem a algumas das obras mais relevantes da história da banda desenhada, incluindo Sherlock Time (1958-1959), Mort Cinder (1962-1964), Richard Long (1965), Vida del Che (1969) e esta nova abordagem ao universo de El Eternauta, intitulada El Eternauta 1969.

Oesterheld foi também responsável pela criação da Editorial Frontera, enquanto editor, dando origem à mítica revista Hora Cero.

Em 1977, durante a ditadura militar argentina de Jorge Rafael Videla, foi sequestrado pelas Forças Armadas e tornou-se um dos muitos desaparecidos do regime.

O Eternauta 1969

Alberto Breccia: um mestre da banda desenhada

Nascido em Montevideu, em 1919, Alberto Breccia iniciou a sua carreira profissional aos 19 anos. Em 1946 começou a desenhar Vito Nervio, na revista argentina Patoruzito, série que contribuiu para o seu reconhecimento.

A colaboração com Héctor Oesterheld começou em 1958, com a série Sherlock Time, publicada originalmente em onze episódios semanais na revista Hora Cero. Desta parceria nasceram obras marcantes como Mort Cinder, Vida del Che e El Eternauta 1969.

Ao longo da carreira, Breccia destacou-se também pelas adaptações de obras literárias. Em 1973, juntamente com o argumentista Norberto Buscaglia, adaptou Los Mitos de Cthulhu, de H. P. Lovecraft. Trabalhou igualmente sobre textos de autores como Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Juan Carlos Onetti, Edgar Allan Poe e Horacio Quiroga.

Entre outras colaborações importantes encontram-se as realizadas com o argumentista Carlos Trillo, em obras como Un Tal Daneri (1975-1978), Nadie (1977), El Viajero de Gris (1978-1980) e Buscavidas (1981).

Entre os seus últimos grandes trabalhos contam-se Perramus (1983), com argumento de Juan Sasturain, Drácula, Drácul, ¿Vlad?, ¡Bah…! (1984) e Informe Sobre Ciegos (1991), uma interpretação pessoal da obra Sobre Héroes y Tumbas, de Ernesto Sábato.

O Eternauta 1969
O Eternauta 1969

Informação editorial:

  • Título: O Eternauta 1969

  • Autores: Héctor Oesterheld e Alberto Breccia

  • Formato: 20 x 27 cm

  • Número de páginas: 64

  • Encadernação: Capa mole

  • Impressão: Preto e branco

  • Edição: Agosto de 2026

  • ISBN: 978-989-36079-9-2

  • PVP: 24,90 €

O Menino Triste – Ginguba, de João Mascarenhas

O Menino Triste – Ginguba
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A segunda novidade é O Menino Triste – Ginguba, de João Mascarenhas, uma obra que aborda a amizade, a infância e o imaginário associado às máscaras rituais africanas.

A utilização de máscaras africanas de aparência assustadora está profundamente ligada a práticas rituais e à representação de espíritos poderosos, antepassados ou figuras com funções sociais e espirituais. Tradicionalmente, estas máscaras podem ser utilizadas para impor disciplina, assinalar rituais de iniciação ou afastar o mal. Não são, por natureza, símbolos malignos, mas antes uma ligação ao mundo espiritual, através de uma presença visual e comportamental frequentemente intimidante.

O receio que provocam, sobretudo entre os mais novos, é, contudo, uma realidade que não deve ser desvalorizada.

É neste contexto que surge a primeira história do livro, intitulada Ginguba. A narrativa celebra a amizade na sua forma mais simples e genuína: a alegria de estar na companhia de um amigo, andar de bicicleta ou partilhar o prazer de comer uma deliciosa ginguba.

A história acompanha a amizade entre dois rapazes, tendo como pano de fundo o medo que sentem perante uma máscara ritual. Mas será esse receio suficiente para os impedir de desfrutar da maravilhosa ginguba? Ou a vontade de saborear este petisco acabará por falar mais alto?

O Menino Triste – Ginguba
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João Mascarenhas: a infância como fonte de inspiração

Investigador científico na área da engenharia dos materiais e energia, João Mascarenhas dedica uma parte significativa do seu tempo livre à banda desenhada.

A sua personagem mais conhecida, O Menino Triste, que funciona também como seu alter ego, é publicada desde 2001. O autor é frequentemente associado a uma grande versatilidade gráfica, explorando diferentes estilos de desenho em trabalhos como O Perigoso Pacifista, O Menino Triste, A Norte de Sul Nenhum e Butterfly Chronicles.

As suas histórias têm sido publicadas em revistas, livros e também em publicações de natureza científica e técnica, um pouco por todo o mundo.

A dimensão humanista ocupa um lugar central na sua produção artística, estando presente nas histórias protagonizadas pelo Menino Triste. A personagem nasceu também da vontade do autor de preservar a infância e a sua capacidade de imaginação, uma atitude que continua a refletir-se na personalidade ingénua e sonhadora do seu alter ego.

João Mascarenhas mantém, aliás, algumas das crenças próprias da infância, continuando a acreditar em fadas.

O Menino Triste – Ginguba
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Informação editorial:

  • Título: O Menino Triste – Ginguba

  • Autor: João Mascarenhas

  • Formato: 17 x 24 cm

  • Número de páginas: 80

  • Encadernação: Capa mole

  • Impressão: Preto e branco, com uma página a cores

  • Edição: Outubro de 2026

  • ISBN: 978-989-49184-1-7

  • PVP: 21 €

Rattlesnake – O Anjo da Manhã, de João Amaral

Rattlesnake – O Anjo da Manhã

A terceira novidade é Rattlesnake – O Anjo da Manhã, de João Amaral, que dá continuidade ao universo protagonizado pela misteriosa mulher conhecida pela sua temida alcunha.

Solitária e de passado enigmático, Rattlesnake continua a percorrer longas distâncias até chegar à pequena povoação de Wild Peak. Aí, durante uma partida de póquer que rapidamente se transforma num confronto, vê-se obrigada a matar um dos adversários, depois de este tentar agredi-la na sequência de uma mão particularmente desfavorável.

Invocando legítima defesa, conta com o testemunho de várias pessoas presentes, entre as quais um coronel do exército. Decide, por isso, abandonar imediatamente o saloon.

Mas, ao sair, depara-se com uma altercação entre o xerife local e um indígena que insiste em falar com ela. O relato que se segue deixa-a horrorizada e obriga-a a confrontar-se com episódios do seu passado que julgava há muito esquecidos.

Começa assim uma viagem insólita, cujas consequências são impossíveis de prever e que poderá ter um impacto profundo em todos os que se cruzarem com a protagonista. O desfecho promete revelar experiências extraordinárias e perturbadoras.

Rattlesnake – O Anjo da Manhã

João Amaral: uma carreira ligada à banda desenhada portuguesa

João Amaral estreou-se na banda desenhada em 1994, em colaboração com Rui Carlos Cunha, das Edições ASA, através da adaptação de A Voz dos Deuses, de João Aguiar.

Entre 1999 e 2000 participou na segunda série de Selecções BD, com as histórias O Que Há de Novo no Império? e O Fim da Linha. Em 2002 recebeu uma menção na categoria de Novos Valores, no Festival da Sobreda, pela banda desenhada Game Over.

No ano seguinte, integrou o livro Vasco Granja – Uma Vida, Mil Imagens, com a história Missão Quase Impossível, realizada em parceria com o argumentista Jorge Magalhães. A dupla voltou a trabalhar em Ok Corral, publicada sob os pseudónimos Jhion e Zhion.

Ao longo da carreira, colaborou também com o jornal Cruz Alta, juntamente com Isabel Afonso, utilizando o pseudónimo Joca. Entre os seus trabalhos editoriais encontram-se ainda História de Fornos de Algodres, História de Manteigas e Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve, publicados pela Âncora Editora.

Em 2012 lançou, em parceria com Miguel Peres, o álbum Cinzas da Revolta, pela ASA. Em 2013 recebeu o Troféu Animarte pelo conjunto da sua obra, no Festival Internacional de Banda Desenhada de Viseu.

No ano seguinte publicou, pela Porto Editora, a adaptação para banda desenhada de A Viagem do Elefante, de José Saramago. Seguiram-se Museu Nacional Grão Vasco 1916-2016 – Em Busca da Arte Perdida (2017), pelas Edições Esgotadas, e novas edições e adaptações de obras literárias, incluindo A Voz dos Deuses (2019), pela Arcádia, e Rosa, Minha Irmã Rosa (2019), de Alice Vieira, pela ASA.

Em 2022 publicou o álbum Rattlesnake e, em 2023, A Oeste, ambos pela Escorpião Azul.

O seu percurso inclui ainda trabalhos publicitários, colaborações com a revista A Rua Sésamo, postais de felicitações e ilustrações para livros, desde romances a manuais escolares.

Rattlesnake – O Anjo da Manhã

Informação editorial:

  • Título: Rattlesnake – O Anjo da Manhã

  • Autor: João Amaral

  • Formato: 17 x 24 cm

  • Número de páginas: 64

  • Encadernação: Capa mole

  • Impressão: A cores

  • Edição: Setembro de 2026

  • ISBN: 978-989-49184-0-0

  • PVP: 20 €

Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

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