ASA revela plano editorial de banda desenhada para o primeiro semestre de 2027
A ASA apresentou o seu plano editorial de banda desenhada para o primeiro semestre de 2027, com uma programação que combina clássicos franco-belgas, novas aventuras de personagens emblemáticas, adaptações literárias, romances gráficos contemporâneos e obras provenientes do universo webtoon.
Entre os destaques encontram-se o regresso de Lucky Luke e Gaston, uma nova edição de Frankenstein, de David Sala, e títulos de autores reconhecidos como Mathieu Bablet, Aimée de Jongh, Neyef e Lizzy Stewart.
Lucky Luke e Gaston entre os grandes destaques
O western humorístico marca presença com Lucky Luke – Integral 1, de Morris, um volume de 224 páginas que reúne as primeiras aventuras da personagem, seguindo a ordem cronológica da sua publicação original na revista Spirou.
Esta edição permite acompanhar a evolução gráfica do famoso cowboy, desde as suas primeiras aparições, em 1946, até à silhueta mais esguia que viria a caracterizá-lo. Inclui ainda várias páginas inéditas e um dossier introdutório ricamente ilustrado.
Outro regresso muito aguardado é o de Gaston 23, com textos e desenhos de Delaf e Trondheim. A publicação assinala os 70 anos da personagem criada por André Franquin, que surgiu pela primeira vez a 28 de fevereiro de 1957, no número 985 do jornal Spirou. O novo álbum terá 48 páginas.
Do universo webtoon à fantasia
A aposta em diferentes formatos e origens editoriais inclui Raven Saga 1, de Chihiro Howe, uma obra que chega ao catálogo da ASA a partir do universo webtoon.
Com 304 páginas, o volume reúne os episódios 1 a 17 da série. A narrativa acompanha Wen, uma jovem que vive com a avó numa terra de contos de fadas, protegida por uma barreira mágica que a separa do mundo exterior.
Quando um príncipe misterioso aparece inconsciente do outro lado da barreira, Wen decide ajudá-lo. Porém, um rapaz acompanhado por um bando de corvos acaba por raptar a sua avó, levando a protagonista a partir numa missão de salvamento, acompanhada pelo príncipe Corliss e pela sua fiel andorinha, Theo. Pelo caminho, terá de enfrentar perigos inesperados e desvendar os mistérios que envolvem o rapaz dos corvos e o seu próprio passado.
Mathieu Bablet e David Sala trazem ficção científica e terror
Um dos títulos de maior dimensão do plano editorial é Silent Jenny, de Mathieu Bablet, com 320 páginas.
A história decorre num futuro distante, marcado pelo desaparecimento dos insetos polinizadores e pelo colapso da biodiversidade. A humanidade percorre paisagens estéreis a bordo de «monades», aldeias motorizadas que se deslocam por um mundo profundamente transformado.
É neste cenário que vive Jenny, determinada a recuperar os últimos vestígios de ADN de abelhas, na esperança de conseguir recuperar o mundo que existia anteriormente.
Também em destaque está Frankenstein, de David Sala, uma nova abordagem à célebre obra literária de Mary Shelley. Com 232 páginas, a banda desenhada revisita o momento em que o criador contempla a sua obra concluída e percebe que o sonho de criar vida se transforma numa experiência de horror e repulsa, apesar dos esforços para conferir beleza à criatura.
Peter Pan, refugiados e relações humanas
O catálogo inclui ainda Os Meninos Perdidos de Peter Pan, de Neyef, uma obra de 208 páginas que parte de uma tragédia familiar para explorar os segredos escondidos por detrás de uma infância marcada pela violência.
Otelo tem apenas sete anos quando mata o pai. Fascinado pelos pássaros e pelas promessas de fuga que representam, o rapaz vê-se confrontado com as consequências de um ato irreparável, enquanto começa a descobrir os segredos e o legado que condicionam a sua existência.
Já Samir, de Aimée de Jongh, aborda uma realidade particularmente dura e atual. O protagonista é um jovem sírio que vive com a família na Grécia, num campo de refugiados que os próprios habitantes descrevem como uma «sala de espera da Europa».
Separado do mundo por uma vedação e arame farpado, Samir aguarda uma resposta ao pedido de asilo dos pais, tendo como únicas companhias um bidão e uma bola de futebol. A obra terá 192 páginas.
Lizzy Stewart, David Prudhomme e Laurent Gaudé
Entre as propostas mais centradas nas relações humanas encontra-se A Ruína, de Lizzy Stewart. Com 320 páginas, este romance ilustrado acompanha Charlotte e Francesca, duas mulheres que se conhecem na universidade, em 1973, e cuja relação é marcada por diferenças de personalidade, admiração, inveja e sentimentos complicados.
Duas décadas depois, as suas vidas seguiram caminhos distintos. Porém, uma carta inesperada de Francesca, com um convite para Charlotte e o companheiro irem viver para a casa que aquela comprou no campo, volta a aproximar as duas mulheres. A decisão acabará por transformar profundamente a vida de todos os envolvidos.
Outro dos destaques é As Oliveiras de Negus, com desenhos de David Prudhomme e textos de Laurent Gaudé. Este romance gráfico de 176 páginas tem como cenário as paisagens da Apúlia, no sul de Itália, e cruza história, memória e lenda.
A narrativa parte do funeral de Zio Négus, um comunista, desertor e veterano da campanha da Abissínia. Através das recordações do narrador, surgem histórias relacionadas com Négus, o imperador Frederico II e os habitantes de Peschici, uma pequena localidade italiana que se torna protagonista de uma obra sobre a transmissão de histórias e a memória coletiva.
Vila Algarve: a história de Moçambique através de um edifício
O plano editorial contempla ainda Vila Algarve, uma obra de Ana Bárbara Pedrosa, com desenhos de Micky, que propõe uma abordagem ficcional à história de um edifício de Maputo profundamente ligado ao passado colonial português.
Construída em 1934 como residência, a Vila Algarve foi posteriormente confiscada pela PIDE, que instalou ali a sua sede. Até à independência de Moçambique, o edifício serviu para funções administrativas e para a tortura de antigos combatentes, entre os quais Craveirinha, Rui Knopfli e Malangatana.
Depois da independência, o espaço foi abandonado e encontra-se atualmente sem condições de acesso livre.
Com 112 páginas, a obra pretende contar a história do edifício como se este fosse uma entidade viva, acompanhando a sua construção e cruzando-a com a história de Moçambique e as relações coloniais com Portugal. Duas personagens estarão no centro da narrativa, funcionando como eixos da ação.
E ainda mais 3 continuações muito esperadas
Um primeiro semestre diversificado para a ASA
O plano editorial da ASA para os primeiros seis meses de 2027 apresenta uma seleção bastante diversificada.
A presença de autores como Morris, Mathieu Bablet, David Sala, Aimée de Jongh e David Prudhomme reforça a aposta em obras de diferentes proveniências e sensibilidades, enquanto a inclusão de Raven Saga demonstra também a abertura ao universo webtoon.
Uma programação que promete novidades para leitores de diferentes gerações e gostos, com vários títulos de dimensão considerável e propostas que vão muito além das séries mais conhecidas do catálogo.
Nota: as datas e características editoriais apresentadas correspondem à informação disponibilizada no plano editorial da ASA. A programação poderá estar sujeita a alterações.
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.











