Análise: BlazBlue Entropy Effect X N2E – Lutas trocadas por roguelike
BlazBlue Entropy Effect X chega à Nintendo Switch 2 com novos conteúdos e uma fórmula roguelite que nem sempre consegue brilhar.
Jogo: BlazBlue Entropy Effect X – Nintendo Switch 2 Edition
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: 91Act
Editora: 91Act
Quando analisei BlazBlue Entropy Effect ainda em Early Access no PC, já era evidente que a 91Act tinha encontrado uma combinação curiosa entre o ADN de um jogo de luta e a estrutura de um roguelite de ação. Agora, BlazBlue Entropy Effect X chega à Nintendo Switch 2 como uma espécie de versão definitiva, com uma nova história, mais conteúdos e algumas alterações relevantes. O problema é que, apesar de continuar a ser um jogo interessante, também mantém algumas das limitações que já me tinham deixado de pé atrás.
A maior surpresa continua a ser a forma como BlazBlue é transformado num side scroller de ação. Em vez dos combates tradicionais da série, temos salas repletas de inimigos, bosses e caminhos diferentes, mas os movimentos dos lutadores foram transportados para este formato com bastante competência. Ragna, Noel, Jin, Hazama, Mai e companhia não são apenas skins com ataques diferentes. Cada personagem possui sistemas próprios, recursos, movimentos e ritmos de combate, obrigando-nos a reaprender a jogar sempre que mudamos de Avatar.
E é aqui que Entropy Effect X consegue ser realmente divertido. O combate é rápido, técnico e exige mais atenção do que muitos roguelites semelhantes. Os Potentials modificam os golpes e combos de cada personagem, enquanto as Tactics introduzem efeitos universais capazes de transformar completamente uma build. Um dash pode começar a provocar relâmpagos, um Super pode lançar uma chuva de lanças ou um ataque pode criar campos gravitacionais que agrupam inimigos. Quando tudo encaixa, há momentos de puro caos controlado.
A estrutura das Dives também funciona bem. Depois de cada sala, escolhemos entre diferentes caminhos, procurando combates, eventos, lojas ou melhorias. A derrota não significa começar do zero, já que a progressão permanente através de Mind Strength e Mind Crystals permite melhorar gradualmente o laboratório. Existe ainda o sistema Legacy, que permite guardar builds como Avatars herdados e utilizá-los posteriormente, incentivando a experimentação com o elenco.
A componente narrativa tenta fazer jus à mitologia de BlazBlue, colocando Ace, também conhecido como Doctor A, no centro de uma realidade prestes a desaparecer. Depois de acordar sem memória no laboratório, cabe-lhe mergulhar no Sea of Possibility para recuperar Shards of Possibility e descobrir o que aconteceu. Para quem conhece BlazBlue Central Fiction, existem referências suficientes para despertar interesse, embora a história possa parecer bastante hermética para quem chega sem conhecimento prévio. As sequências em formato de novela visual e banda desenhada ajudam a construir o mundo, mas nem sempre conseguem acompanhar a energia do combate.
Na Nintendo Switch 2, a apresentação mantém a qualidade do original. A arte 2D é excelente, com personagens bem animadas e efeitos vistosos, embora a quantidade de elementos no ecrã possa transformar alguns confrontos numa autêntica sopa visual. Não é um problema permanente, mas quando vários inimigos, efeitos elementais e ataques especiais acontecem em simultâneo, torna-se mais difícil perceber exatamente o que está a acontecer.
Esta versão ainda acrescenta cooperação local em ecrã dividido e multiplayer online para dois jogadores, desbloqueados após a primeira Dive, além de suporte para transferência de saves entre plataformas. O novo conteúdo inclui ainda Platinum como 17.ª personagem jogável, uma área de treino expandida e novas ramificações para as Dives. São adições bem-vindas, embora não alterem radicalmente a experiência.
No final, BlazBlue Entropy Effect X continua a ser um bom roguelite de ação com uma personalidade muito própria. É mais técnico e exigente do que a média, apresenta um elenco variado e sabe tirar partido da identidade de BlazBlue. Contudo, também continua a sofrer de alguma repetição, de uma apresentação narrativa pouco acessível e de momentos em que o excesso de efeitos prejudica a leitura do combate. Na Nintendo Switch 2, é uma excelente oportunidade para quem nunca experimentou esta proposta, mas para quem já conhece a versão PC, a evolução é mais de refinamento do que de revolução.
Nota: 6,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




