Jogos: Kusan: City of Wolves – Análise
Kusan: City of Wolves mistura ação brutal e combate de um só golpe num cocktail frenético para fãs de Hotline Miami e John Wick.
Jogo: Kusan: City of Wolves
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: CIRCLEfromDOT
Editora: PQube
Há jogos que nos atiram para a arena e outros que nos obrigam a aprender a sobreviver nela. Kusan: City of Wolves, desenvolvido pelo estúdio sul-coreano CIRCLEfromDOT, é um pequeno título de ação top-down que junta a violência estilizada de Hotline Miami à estética de Akira, Blade Runner e John Wick, criando uma cidade cyberpunk onde cada sala pode transformar-se num quebra-cabeças sangrento.
No papel de Jin, uma pantera antropomórfica marcada pelo passado e ao serviço do National Security Bureau, somos lançados para uma conspiração que envolve terrorismo, tráfico, experiências ilegais e uma criança coelho que rapidamente se torna uma peça importante da narrativa. O problema é que a história nem sempre consegue acompanhar o ritmo da ação. A exposição é pesada, existem alguns erros de texto e a narrativa confia demasiado na componente visual, deixando certas peças difíceis de encaixar.
Felizmente, é no gameplay que Kusan mostra as garras. Jin morre com um golpe, tal como a maioria dos inimigos, e isso transforma cada divisão num exercício de observação, planeamento e reflexos. O braço hidráulico permite desferir murros devastadores, a Quantum Knife pode ser lançada e recuperada, enquanto pistolas, escopetas, revólveres e bestas oferecem soluções diferentes. O sistema de parry, em teoria, acrescenta outra camada de profundidade, mas os timings são tão apertados e pouco claros que muitas defesas parecem resultado de sorte.
A progressão usa um sistema de inventário em grelha, semelhante ao de Resident Evil, obrigando-nos a gerir cuidadosamente módulos e melhorias. A destruição do cenário também tem utilidade, já que demolir mobília rende os preciosos bolts necessários para expandir o espaço disponível. É uma mecânica simples, mas incentiva-nos a explorar cada canto.
Visualmente, Kusan é um mimo. O pixel art sangrento contrasta com cutscenes que parecem páginas de uma graphic novel em movimento, enquanto a banda sonora aposta no boom-bap coreano, com resultados particularmente fortes quando combina hip-hop, techno e vaporwave. Algumas faixas, contudo, tornam-se repetitivas após várias tentativas.
Os bosses são outro ponto de divisão. Alguns funcionam como excelentes testes de conhecimento, enquanto outros podem transformar-se em longas provas de resistência, culminando num confronto final prejudicado por hitboxes duvidosas e padrões de ataque pouco justos.
Kusan: City of Wolves não é perfeito, mas sabe exatamente que tipo de jogo quer ser. É rápido, violento, exigente e visualmente distinto. Por cerca de 15 dólares, oferece uma experiência compacta que recompensa a persistência e castiga a distração. Nem sempre é justo, mas quando tudo encaixa, cada sala transformada num caos perfeitamente coreografado sabe mesmo bem.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





