Análise | Culdcept The First Saturn Tribute: O regresso às origens da série
Culdcept The First Saturn Tribute recupera o clássico da Sega Saturn para as consolas modernas, mantendo a essência de 1997 e acrescentando opções modernas que tornam a experiência mais acessível.
Jogo: Culdcept The First Saturn Tribute
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Editora: Clear River Games

Culdcept The First Saturn Tribute é um daqueles casos que parece ter ficado perdido no tempo, por conta da localização. Lançado originalmente para a Sega Saturn em 1997, o primeiro capítulo da série chega finalmente ao Ocidente numa versão que privilegia a preservação histórica em vez de transformar o original num remaster. A edição acrescenta Rewind, Quick Save e Reveal Hands, mantendo intacta a estrutura que definiu a série.
A grande força está na mistura improvável entre jogo de tabuleiro e construção de baralhos. Movemos o nosso Cepter com dados, conquistamos terrenos através da invocação de criaturas e cobramos Magic Power a quem lá cair. O adversário pode pagar ou arriscar um duelo, onde cartas de equipamento e magia podem virar completamente uma jogada. É quase Monopoly com Magic: The Gathering, mas com uma profundidade estratégica própria.
Cada Book tem 50 cartas, escolhidas de um conjunto superior a 300, e é aqui que Culdcept ganha personalidade. Afinidades elementais, bónus de terreno, efeitos de estado e cartas de movimento obrigam a pensar vários turnos à frente. O problema é o ritmo. As partidas são lentas, muitas ultrapassam uma hora, e há momentos em que os dados ou a falta de recursos destroem uma estratégia bem montada. Os mapas mais pequenos ajudam, mas a sensação de impotência aparece com frequência.
Visualmente, não há qualquer tentativa de esconder a idade. O formato 4:3, os gráficos pixelizados e a interface antiquada fazem parte da experiência, embora o excesso de informação torne o tabuleiro confuso no final das partidas. A banda sonora envelheceu melhor e acompanha bem sessões longas. A narrativa é curta e funcional, com Bablashca, os fragmentos de Culdcept e o peculiar Goligan a introduzirem o conflito sem excesso de exposição.
As melhorias modernas são essenciais. O Rewind cria uma rede de segurança, o Quick Save é quase obrigatório perante partidas tão extensas e o Reveal Hands ajuda a compreender interações que o jogo original pouco explicava. Ainda assim, a ausência de multijogador online é difícil de ignorar em 2026, ficando os confrontos limitados ao jogo local.
Comparado com Culdcept Begins, The First tem menos cartas, uma economia mais conservadora e uma apresentação mais rudimentar. Em compensação, a narrativa é mais direta e esta edição funciona como uma excelente cápsula do nascimento da série. Não é a forma mais moderna de jogar Culdcept, mas é uma viagem curiosa às raízes de uma fórmula que continua singular.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.



