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20 anos de “Casino Royale”: o filme que reinventou James Bond

Há filmes que envelhecem. E há outros que parecem ganhar ainda mais força quando regressam ao grande ecrã. É o caso de Casino Royale, o filme que apresentou Daniel Craig como James Bond regressa aos cinemas em alguns mercados internacionais, numa reposição especial que assinala os 20 anos da estreia do ator como 007. Em Portugal, porém, ainda não existe confirmação de uma reposição nos cinemas para assinalar a data.

Lançado originalmente em 2006, 007: Casino Royale marcou uma mudança profunda na saga James Bond. Depois de várias décadas de aventuras cada vez mais exuberantes, a produção de Martin Campbell devolveu ao agente secreto britânico uma dimensão mais física, realista e emocional. O resultado foi um Bond menos dependente de engenhocas tecnológicas e mais vulnerável, determinado e próximo da personagem criada por Ian Fleming.

A reposição acontece em outubro, numa altura em que se assinalam duas décadas desde a chegada de Craig ao universo 007 e poucos meses antes de a personagem entrar numa nova fase cinematográfica. Para os espectadores portugueses, o filme um significado particular, já que Casino Royale mantém uma ligação histórica a Portugal através da inspiração de Ian Fleming no Casino Estoril.

007 Casino Royal

A história acompanha um James Bond recém-promovido ao estatuto de agente 00, enviado para Montenegro com uma missão de alto risco: levar à falência Le Chiffre, um banqueiro que financia organizações terroristas, numa partida de Texas Hold’em no Casino Royale.

Mads Mikkelsen interpreta Le Chiffre, um dos adversários mais marcantes da era Craig, enquanto Eva Green dá vida a Vesper Lynd, representante do Tesouro britânico encarregada de acompanhar Bond na operação. A relação entre os dois transforma progressivamente uma missão de espionagem numa história de confiança, paixão e perda.

O elenco inclui ainda Judi Dench como M, Jeffrey Wright na sua estreia como Felix Leiter e Giancarlo Giannini no papel de René Mathis. A combinação entre personagens conhecidas do universo Bond e uma nova abordagem à figura do agente secreto ajudou a estabelecer o tom que viria a marcar os restantes filmes protagonizados por Craig.

O filme apostou também numa utilização mais expressiva de efeitos práticos e em sequências de ação particularmente físicas. A perseguição inicial em Madagáscar, a escalada urbana, os confrontos corpo a corpo e a célebre sequência do jogo de póquer continuam entre os momentos mais reconhecíveis desta versão de 007.

Casino

A escolha de Daniel Craig para interpretar James Bond esteve longe de ser consensual. O ator não correspondia à imagem tradicional que muitos espectadores tinham do agente secreto e o seu anúncio foi acompanhado por críticas ainda antes de o filme chegar aos cinemas.

Craig tinha, contudo, construído uma carreira marcada por papéis bastante diferentes, em filmes como Elizabeth, Caminho para Perdição, Munique e Layer Cake – Crime Organizado. A produtora Barbara Broccoli viu nele uma combinação pouco habitual de dureza, vulnerabilidade, carisma e versatilidade.

O ator acabaria por aceitar o desafio depois de um processo de seleção que incluiu testes de imagem realizados em 2005. A decisão transformaria não apenas a sua carreira, mas também a própria trajetória da franquia. Casino Royale tornou-se o ponto de partida para uma nova continuidade de Bond e Craig interpretaria a personagem em mais quatro filmes.

Quando chegou aos cinemas, em novembro de 2006, a receção mudou rapidamente. O filme ultrapassou os 616 milhões de dólares em receitas mundiais e Craig tornou-se o primeiro intérprete de James Bond a receber uma nomeação para os BAFTA pelo desempenho na personagem.

007 Casino Royale

O título Casino Royale ganha uma dimensão particularmente interessante quando recordamos a relação de Ian Fleming com Portugal. Durante a Segunda Guerra Mundial, o escritor britânico esteve no país enquanto oficial da Marinha britânica e ficou hospedado no Palácio Estoril Hotel, frequentando o Casino Estoril.

Segundo o material de origem, foi nesse contexto que Fleming terá conhecido o espião sérvio Dusko Popov, apontado como uma das inspirações para a criação de James Bond. O Casino Estoril tornou-se, assim, uma referência importante na história da personagem e esteve ligado à inspiração para o primeiro romance de 007, Casino Royale.

A ligação portuguesa não termina aí. 007: Casino Royale teve uma das anteestreias europeias no Salão Preto e Prata do Casino Estoril, tornando o regresso do filme aos cinemas duas décadas depois numa ocasião particularmente nostálgica para os fãs nacionais de James Bond.

Duas décadas depois de Daniel Craig ter vestido pela primeira vez o smoking de James Bond, 007: Casino Royale continua a preservar aquilo que tornou a sua estreia como 007 num momento decisivo para a saga. Entre perseguições, póquer, martinis e uma das histórias de amor mais trágicas da série, Casino Royale continua a revelar, vinte anos depois, porque é que esta versão de Bond encontrou uma nova identidade sem perder a essência da personagem.
007: Casino Royale está disponível, em solução VOD, em plataformas como Apple TV Store, Rakuten TV ou Prime Video.

 

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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