Jogos: Heroes of Magic and Steel – Análise
Heroes of Magic and Steel mistura estratégia, deckbuilding e roguelite com ideias frescas.
Jogo: Heroes of Magic and Steel
Disponível para: PC
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Gaister Studios
Editora: Nuntius Games, Vsoo Games
Heroes of Magic and Steel é um daqueles casos em que uma produção independente consegue entrar num género saturado e ainda assim encontrar espaço para respirar. Este projecto, vindo do Brasil, olha para referências como Slay the Spire e Monster Train, mas não se limita a copiar fórmulas. Pelo contrário, encontra uma identidade própria ao trocar a habitual jornada de um único herói pela gestão de uma equipa completa, uma decisão que altera por completo a dinâmica de cada partida.
À primeira vista, a combinação de combate por turnos, grelhas hexagonais e mecânicas roguelite parece familiar. O que não é tão comum é a forma como tudo se encaixa. Cada campanha é composta por três heróis, cada um com cartas exclusivas e funções muito distintas. Há personagens focadas em dano bruto, outras em suporte, controlo do campo ou resistência. Basta substituir um elemento da equipa para que toda a abordagem mude. E muda mesmo. Há runs que incentivam um estilo agressivo, outras recompensam a paciência e o desgaste gradual dos adversários.
O combate é o coração da experiência e também o seu maior trunfo. Os pontos de acção são um recurso precioso, sendo utilizados para movimentação, uso de cartas e até para adquirir novas opções durante os confrontos. Isto transforma cada batalha num pequeno quebra-cabeças táctico. Um passo em falso pode deixar uma unidade exposta, enquanto uma postura demasiado conservadora pode permitir que os inimigos tomem conta do campo. A variedade de facções ajuda a manter o interesse, com adversários capazes de castigar erros de posicionamento, perturbar a mão do jogador ou simplesmente inundar o mapa com números.
Mas é no sistema de cartas que Heroes of Magic and Steel apresenta a sua melhor ideia. Ao contrário do habitual nos deckbuilders, as cartas utilizadas não regressam automaticamente ao baralho. São recursos limitados durante toda a batalha. Parece uma pequena alteração, mas tem um impacto enorme. A tentação de usar uma habilidade poderosa cedo demais é constante, mas guardar recursos para um eventual chefe torna-se uma necessidade. Esta gestão cria uma tensão permanente e obriga a improvisar quando as melhores cartas já desapareceram. Para quem prefere algo mais tradicional, existe um modo alternativo com reciclagem normal das cartas.
Visualmente, o jogo aposta numa direcção artística estilizada e cheia de personalidade. As unidades são facilmente identificáveis, os efeitos especiais têm impacto sem transformar o ecrã num caos de partículas e a interface é bastante intuitiva. A narrativa surge através de painéis ilustrados, num formato próximo da banda desenhada, mantendo um bom ritmo e evitando interromper a acção com longas sequências de texto.
Porém, existem falhas. Os turnos dos inimigos podem tornar-se lentos, mesmo recorrendo às opções de aceleração. Algumas batalhas prolongam-se mais do que seria desejável e existem desequilíbrios evidentes entre certos heróis, com alguns a parecerem essenciais e outros pouco apelativos. O tutorial também deixa espaço para melhorias, sobretudo na explicação de sistemas mais avançados.
Em jeito de conclusão, Heroes of Magic and Steel é uma agradável surpresa. A profundidade táctica, a elevada rejogabilidade e uma das mecânicas de gestão de cartas mais interessantes dos últimos anos fazem deste indie uma recomendação fácil para fãs do género.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





