O Rei da Internet: o hacker brasileiro chega aos cinemas
O cinema brasileiro volta a conquistar espaço nas salas portuguesas com a estreia de O Rei da Internet, a nova longa-metragem de Fabrício Bittar inspirada na história verídica de Daniel Nascimento, considerado um dos hackers mais influentes do Brasil ainda antes de completar 17 anos.
Protagonizado por João Guilherme e Marcelo Serrado, o filme chega aos cinemas portugueses em junho numa estreia ambiciosa, ocupando cerca de um terço das salas de cinema do país, numa parceria entre a Clube Filmes e a NOS Lusomundo Audiovisuais.
O filme acompanha a ascensão meteórica de Daniel Nascimento no início dos anos 2000, numa época em que a internet ainda dava os primeiros passos no quotidiano de milhões de pessoas e a segurança digital era praticamente inexistente. Entre invasões informáticas, fraudes bancárias, clonagem de cartões e uma vida de luxo alimentada pelo crime virtual, o jovem hacker acabou por se tornar alvo de uma das primeiras grandes operações da Polícia Federal brasileira contra crimes cibernéticos.
No filme, João Guilherme interpreta Daniel, um adolescente introvertido que encontra na internet o reconhecimento que não conseguia na vida real. Já Marcelo Serrado surge como Fábio, o líder carismático da organização criminosa que recruta o jovem hacker e o introduz num universo de ostentação, dinheiro fácil e perigo constante.
O elenco inclui ainda Emílio de Mello, Bia Seidl, Débora Ozório, Adriano Garib, Kaik Pereira, Clarissa Müller, André Ramiro, Caio Horowicz, Miguel Nader, Enrico Cardoso e Eri Johnson.
Associado ao thriller criminal, O Rei da Internet aposta fortemente numa estética nostálgica inspirada na linguagem visual da antiga MTV Brasil, onde Fabrício Bittar trabalhou durante vários anos. O realizador, conhecido por projetos como Como Hackear Seu Chefe e Bugados, mistura ação, humor, imagens de arquivo e referências à cultura pop dos anos 2000 para construir uma narrativa acelerada e visualmente vibrante.
Em entrevistas no Brasil, Bittar revelou ter sido influenciado por filmes como O Lobo de Wall Street, Tudo Bons Rapazes, A Queda de Wall Street e Cidade de Deus. O realizador explicou ainda que procurou equilibrar o tom de true crime com uma abordagem mais pop e descontraída, muito inspirada na própria forma como Daniel Nascimento contava a sua história.
O argumento foi escrito por Fabrício Bittar em parceria com Vinícius Perez e baseia-se no livro autobiográfico DN Pontocom, lançado em 2014 pelo antigo hacker.
Num contexto em que poucos filmes brasileiros conseguem uma distribuição tão expressiva em Portugal, a chegada de O Rei da Internet destaca-se como um sinal da crescente circulação internacional do cinema brasileiro contemporâneo, apostando numa história real que cruza crime, tecnologia, juventude e nostalgia digital.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

