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Jogos: Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors – Análise

Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors troca o caos bullet heaven por dungeon crawling táctico, e o resultado é estranho, mas viciante.

Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors

Jogo: Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: poncle, Nosebleed Interactive
Editora: poncle

Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors

Imaginem o caos frenético de Vampire Survivors transplantado para a estrutura rígida de um clássico como Legend of Grimrock. A Poncle apresenta Vampire Crawlers, um derivado ousado que troca a ação isométrica por um dungeon crawler de cartas na primeira pessoa. A transição é surpreendentemente fluida, mantendo a estética pixel art inconfundível através de uma cutscene inteligente, mas exigindo agora planeamento frio em vez de reflexos rápidos.

A primeira hora é de pura confusão. O combate abandona a sobrevivência automática do original e transforma tudo num sistema de cartas focado em combos. Jogar cartas por ordem crescente de mana cria multiplicadores absurdos de dano, armadura e efeitos secundários. É aqui que o jogo revela a sua verdadeira identidade: menos roguelite de ação, mais laboratório de builds partidas. Sem limite de mão nem teto de mana, basta perceber como reciclar recursos para entrar num ciclo quase infinito. Quando uma Whip modificada começa literalmente a devolver mana ao jogador, percebe-se rapidamente que os developers querem que o sistema rebente pelas costuras.

Construir NO FUTURE, a fusão entre Runetracer e Armor, é o equivalente digital a acender fogo de artifício dentro de um micro-ondas. O ecrã transforma-se num pesadelo de partículas, ricochetes e explosões, ao ponto de o jogo avisar sobre fotossensibilidade logo no arranque. É exagerado, caótico e incrivelmente satisfatório.

Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors

A exploração dos dungeons cria uma tensão interessante nas primeiras horas. Avançar demasiado cedo contra sub-bosses pode destruir uma run em segundos, mas também pode oferecer loot suficiente para trivializar o resto do mapa. Há risco real, há decisões reais. O problema é que essa tensão desaparece demasiado depressa. Ao fim de 15 ou 20 horas, o meta fica resolvido. Os melhores loops de card draw dominam quase tudo, os inimigos deixam de acompanhar o power creep e o botão de auto-play transforma runs inteiras num festival automático de farming.

Também existem problemas de interface difíceis de engolir. Não conseguir consultar o deck durante as escolhas de level up é um erro básico num deckbuilder. Alguns bugs de progressão em bosses podem mesmo arruinar runs inteiras. Felizmente, a performance na Nintendo Switch mantém-se sólida e o touchscreen encaixa surpreendentemente bem neste tipo de gestão rápida de cartas.

Vampire Crawlers: The Turbo Wildcard from Vampire Survivors

No fim, Vampire Crawlers consegue algo raro: reinventar uma fórmula sem perder a alma da série, mesmo com falhas claras de longevidade. Pode não ter a vida infinita de Vampire Survivors, mas durante aquele pico de obsessão, funciona muito bem.

Nota: 8/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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