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Cinema: Crítica – Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral

Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral traz de volta o pirata mais famoso da Noruega numa sequela divertida, mas algo previsível.

Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral

Verdade seja dita, Capitão Dentes de Sabre vive para lá do ecrã gigante. Na Noruega, esta figura já faz parte do imaginário popular há mais de duas décadas, tendo atravessado várias gerações em animação, live action e até no palco. Depois de Capitão Dentes de Sabre e o Diamante Mágico, lançado originalmente em 2019 e chegado a Portugal apenas no ano seguinte, esta nova aventura segue a mesma rota de distribuição tardia, mas traz consigo a promessa de expandir este universo de piratas, magia e criaturas fantásticas. Se o consegue? Nem por isso.

Narrativamente, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral joga pelo seguro, talvez até demasiado. A premissa é funcional, com o rapto de Pinky a servir de rastilho para uma missão de resgate onde Raven ganha mais protagonismo, enquanto o capitão, um dragão e companhia seguem rumo a um novo confronto. Há ritmo, há movimento, há energia, mas falta aquele gancho dramático que transforme uma aventura simpática numa grande aventura. A nova antagonista, Sibylla, entra em cena com presença visual forte, quase imponente, com um design que encaixa bem no tom fantasioso do filme, mas os seus motivos parecem frágeis, pouco desenvolvidos e dramaticamente ocos. Está lá para ser vilã, mais do que para ser personagem.

Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral

Visualmente, a primeira impressão pode ser algo ingrata. A animação digital tem um acabamento de gama média, longe do detalhe técnico dos gigantes da área, mas há aqui um cuidado artístico que começa a conquistar com o tempo. As cores vibrantes, os cenários luminosos e alguma criatividade ajudam a dar textura ao filme. Ao fim de meia hora, o olhar já entrou no jogo, e isso conta muito. Não impressiona pelo músculo técnico, impressiona mais pelo charme.

Curiosamente, uma das melhorias mais notórias chega da dobragem portuguesa. A mudança da 112 Studios para os Estúdios ORIGAMI revelou se uma decisão acertada. Há uma nova frescura nas vozes, interpretações mais soltas, mais naturais, e algumas vozes bem conhecidas do público nacional dão um toque extra de humor e personalidade. Para um filme claramente pensado para miúdos, mas visto muitas vezes por pais arrastados para a sala, esse factor faz diferença.

Resta concluir que, Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral é um produto bem oleado, eficaz no que quer fazer, mas raramente ambicioso. Diverte e cumpre o seu propósito, , porém dificilmente fica na memória depois dos créditos. Para os mais novos, será mais combustível para brincadeiras com espadas de plástico e chapéus de pirata. Para os restantes, é uma viagem agradável, ainda que sem grande tesouro no fim do mapa.

Nota: 5,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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