Jogos: Cleaning Up! – Análise
Cleaning Up! transforma tarefas domésticas num loop relaxante, misturando humor negro e física dinâmica num simulador cozy surpreendente.
Jogo: Cleaning Up!
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Unbound Creations
Editora: Unbound Creations
Há algo estranhamente hipnótico em pôr ordem no caos, e Cleaning Up! percebe isso melhor do que muitos simuladores recentes. A proposta é simples, quase minimalista, és um trabalhador precário a aceitar biscates através de uma app, entras em espaços completamente destruídos e limpas tudo até brilhar. O twist, claro, está no tom. A app que te contrata não é só um menu funcional, é uma presença quase opressiva, com mensagens passivo-agressivas que dão um subtexto incómodo àquilo que deveria ser relaxante. É aqui que o jogo começa a mostrar identidade.
A jogabilidade é o verdadeiro coração da experiência. A câmara isométrica fixa mantém tudo legível e controlado, enquanto o sistema de física aplicado ao lixo dá uma dimensão tátil rara neste tipo de jogos. Nada é estático, tudo reage, empurras, aspiras, espalhas sem querer e depois resolves. O aspirador é, sem surpresa, a estrela do arsenal, com um flow natural que faz lembrar mecânicas bem polidas de jogos de ação, mas aqui aplicadas a algo mundano. A vassoura e o pulverizador cumprem bem o papel, com feedback sonoro sólido, já a esfregona fica aquém, demasiado rígida, quase como se estivesse presa a uma lógica menos refinada.
O ritmo é outro ponto forte. Os níveis são curtos, diretos, dão aquela sensação constante de progresso que muitos jogos inflacionados perdem. Começas em apartamentos caóticos e rapidamente estás a limpar templos antigos ou mansões assombradas. A variedade visual ajuda, mas há momentos em que a criatividade abranda, sobretudo nas fases mais tardias, onde algumas ideias parecem recicladas com menos frescura.
A progressão é linear, eficaz e sem complicações desnecessárias. Ganhas dinheiro, compras upgrades, ficas mais eficiente. Não há aqui sistemas redundantes nem economias inflacionadas, o que encaixa bem no tom cozy. Ainda assim, a ausência de profundidade pode afastar quem procura um desafio mais técnico ou sistemas mais densos. É um jogo que sabe o que quer ser, mas também sabe o que não quer tentar.
Visualmente, aposta num estilo cartoon limpo e funcional, nada revolucionário, mas extremamente legível. E isso é crucial. Cada pedaço de lixo destaca-se, cada superfície suja pede intervenção. O design sonoro, por outro lado, eleva tudo, com efeitos satisfatórios que fazem metade do trabalho psicológico de recompensa. Limpar nunca soou tão bem.
Para concluir, Cleaning Up! é uma experiência curta, cerca de cinco horas, e isso pesa. O modo New Game+ tenta prolongar a vida útil, mas a repetição instala-se mais cedo do que seria ideal. Ainda assim, enquanto dura, é difícil largar.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





