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IndieLisboa 2026: programação cruza música, experimentação e novos olhares

A 23.ª edição do IndieLisboa já começa a ganhar forma e promete voltar a transformar Lisboa num território de descoberta cinematográfica entre 30 de abril e 10 de maio. Espalhado por salas emblemáticas como a Culturgest, o Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa, o Cinema Ideal e outros espaços da cidade, o festival revela agora as primeiras sete secções de uma programação que volta a afirmar o cinema independente como espaço de reflexão, risco e encontro.

Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90 (2026), Rui Mota Pinto – Estreia mundial
Percursos Alternativos – Ecos de Garagem: o Rock em Viseu nos anos 80 e 90, de Rui Mota Pinto, emEstreia mundial

Entre os destaques está a Retrospectiva, construída em parceria com a Cinemateca Portuguesa, que se dedica ao universo do mockumentary. Sob o mote “Isto não é um documentário”, a secção percorre diferentes épocas e linguagens para explorar a fronteira difusa entre realidade e ficção. Obras marcantes como Punishment Park, de Peter Watkins, This Is Spinal Tap, de Rob Reiner, ou Best in Show, de Christopher Guest, cruzam-se com títulos de Woody Allen, Ruben Östlund e Kirsten Johnson, revelando a vitalidade de um género em constante reinvenção.

This Is Spinal Tap, Rob Reiner,
This Is Spinal Tap, de Rob Reiner

No Director’s Cut, o passado é revisitado com um olhar contemporâneo através de cinco obras restauradas, muitas delas inéditas em Portugal. Filmes como Mamma, de Suzanne Osten, ou The Red Spectacles, de Mamoru Oshii, ganham nova vida, reafirmando a ideia de que o cinema nunca pertence apenas ao seu tempo original.

A música volta a ocupar um lugar central no IndieMusic, uma secção que atravessa geografias e sonoridades. De Newport Folk Festival ao universo irreverente dos Butthole Surfers, passando pelo funk das favelas brasileiras e pela cena portuguesa, o programa propõe um diálogo entre gerações, estilos e contextos culturais. A edição deste ano reforça também a acessibilidade, com todas as sessões a incluírem audiodescrição, numa parceria com a Fundação MEO.

Já a secção Boca do Inferno regressa como espaço de liberdade absoluta, acolhendo filmes que desafiam convenções e exploram territórios mais radicais. Entre os destaques está Dracula, de Radu Jude, numa releitura contemporânea do imaginário clássico, e Interface, de Aya Kawazoe. Ao longo de 14 filmes, esta secção reafirma-se como um refúgio para o estranho, o inesperado e o provocador.

 
Dracula, de Radu Jude
Dracula, de Radu Jude

A dimensão europeia do festival faz-se sentir na Smart7, uma competição itinerante que liga sete festivais do continente e apoia novos cineastas. Portugal estará representado por Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete, num conjunto que espelha a diversidade de olhares emergentes na Europa.

Também a ESFN – European Short Film Network propõe uma experiência fora do convencional, apostando no cinema expandido. A instalação “it’s not the sun who is moving”, do artista Luis Macías, ocupará o Palácio Sinel de Cordes com projeções em 16mm que cruzam cinema e arte performativa, convidando o público a uma experiência sensorial imersiva.

Óculos de Sol Pretos (2025), Pedro Ramalhete
Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete

Para os mais novos, o IndieJúnior volta a afirmar-se como um espaço de iniciação ao cinema e de encontro em família. Com cerca de 45 filmes, incluindo a longa Olívia e o Terramoto Invisível, de Irene Iborra, a secção combina exibições, oficinas e atividades ao ar livre, reforçando a ligação entre cinema, educação e comunidade. A aposta na acessibilidade mantém-se, com sessões adaptadas a públicos com necessidades específicas.

A poucos dias do arranque, o IndieLisboa volta a desenhar um mapa onde cabem diferentes formas de ver e pensar o mundo. Um festival que não se limita a mostrar filmes, mas que convida a habitá-los, a discuti-los e a levá-los para fora da sala escura, prolongando a experiência no tempo e na cidade.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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