Cinema: Crítica – The Moment por Charli XCX
Depois do fenómeno de ‘brat’ no verão de 2024, Charli XCX protagoniza o seu próprio filme, com The Moment realizado por Aidan Zamiri.
O fenómeno criado por Charli XCX foi tão inesperado que ninguém foi capaz de prever que o verão de 2024 iria ser marcado pelo “brat summer” da artista britânica, acompanhado por um disco de capa verde, imediatamente considerado como um ícone de simplicidade, e uma cantora cuja reputação era de festas intensas e alegado consumo de drogas. Agora, a artista culmina o seu lugar na cultura-pop com The Moment por Charli XCX, que chega às salas de cinema, realizado por Aidan Zamiri.
Neste mockumentary, vemos Charli XCX a encarnar uma versão exagerada de si mesma, em pleno pico do “brat summer”, onde a pressão do movimento que ela própria criou parece chegar ao fim, com o resto do mundo a tentar perceber como podem continuar o momentum. Ao mesmo tempo, a sua equipa está a preparar um filme-concerto, realizado pelo celebrado Johannes Godwin (Alexander Skarsgård), que causa alguma tensão na vida dela.
Considerando que This Is Spinal Tap estreou em 1984 e é a epítome do género, é curioso ver várias iterações a evoluir a partir daquilo que Rob Reiner desenvolveu, e como se mantém relevante na actualidade. Da mesma forma que Popstar: Sem Parar, Sem Limites modernizou a abordagem, nunca houve propriamente uma artista disposta a fazer uma sátira de si mesma, algo que Charli XCX aqui conseguiu fazer em parte.
O filme esforça-se por ser acessível a quem o fenómeno passou ao lado, ao mesmo tempo que tenta dar aos mais fanáticos outros tantos detalhes da sua era, mas este balanço não é bem conseguido na totalidade, muito porque a constante narrativa parece priorizar a ideia de desfocar a linha entre o que é real e o que é uma versão do real, acabando por haver uma multitude de eventos e reacções que se torna repetitivo; sobretudo na forma como a mesma sente a necessidade e indecisão de eternizar, ou não, esta era.
Por outro lado, o ritmo e a velocidade com que as personagens conseguem saltar dos momentos cómicos para momentos de alto drama é admirável, cortando de forma imediata para situações ansiosas sem hesitação. Isto, aliado a um estilo de filmagem que faz questão de acompanhar de perto todos os momentos, bons e maus, da artista, deixa-nos envolvidos de um modo mais íntimo.
Infelizmente, por mais que o filme demonstre os lados mais emocionalmente honestos e inseguros de Charli XCX, muito disso não corresponde à aparência que tanto investiu durante a sua jornada musical, como uma artista irreverente; onde os extremos poderiam ter sido mais longe e serem mais vincados perante tudo aquilo que a mesma criou a nível de percepção.
Assim, The Moment por Charli XCX dá-nos uma visão daquilo que a artista viveu em momentos que poucos artistas puderam experienciar nas suas vidas inteiras, com um filme que, ainda que seja totalmente de acordo com a marca dela, internaliza o ego do fenómeno, enquanto foge das próprias provocações perante a indústria musical. Por vezes hilariante, mas nestes casos, ou vai-se com tudo, ou fica algo da história por contar, e parece que Charli XCX quis falar muito mais alto.
Nota Final: 6/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




