Festa do Cinema Italiano regressa em abril, para a 19ª edição
A 19.ª edição da Festa do Cinema Italiano regressa a Portugal em abril com um dos nomes maiores do cinema europeu contemporâneo e uma homenagem a uma das figuras mais magnéticas da história do grande ecrã. O realizador italiano Paolo Sorrentino assina o filme de abertura, enquanto a lendária Claudia Cardinale é celebrada numa ampla retrospetiva organizada em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
Em Lisboa, o festival decorre de 9 a 19 de abril no Cinema São Jorge e na UCI Cinemas El Corte Inglés. Ao longo de todo o mês, a Cinemateca acolhe o ciclo dedicado a Claudia Cardinale. Depois da capital, a Festa segue viagem por várias cidades do país até junho, reafirmando a sua vocação itinerante e descentralizadora.

A sessão de abertura está marcada para 9 de abril, às 21h30, no Cinema São Jorge, com La Grazia, a mais recente obra de Sorrentino, distinguido com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Grande Beleza. O filme, que inaugurou a última edição do Festival de Veneza, é um drama luminoso sobre a beleza da incerteza. A narrativa acompanha os últimos meses de mandato do Presidente da República Italiana, interpretado por Toni Servillo, figura recorrente no universo do realizador. Entre decisões politicamente delicadas e momentos de intimidade familiar, La Grazia constrói um retrato humano de um homem perante o peso do poder e a proximidade da despedida.
Visualmente sofisticado, o filme confirma a assinatura estética de Sorrentino, marcada por composições elegantes, movimentos de câmara coreografados e uma atenção minuciosa à luz. A obra dialoga ainda com trabalhos recentes do realizador, como È stata la mano di Dio e Parthenope, formando um conjunto de filmes onde o tempo, a memória e a fragilidade humana assumem o centro da reflexão.

Em paralelo, a Cinemateca Portuguesa presta homenagem a Claudia Cardinale, falecida em 2025, com uma retrospetiva que revisita alguns dos títulos fundamentais da sua carreira. Atriz de presença magnética e rara versatilidade, Cardinale atravessou com naturalidade a comédia e o drama, o cinema de autor e as grandes produções internacionais. Trabalhou com realizadores como Luchino Visconti, Federico Fellini, Blake Edwards, Werner Herzog e Manoel de Oliveira, deixando uma marca indelével no cinema europeu e norte-americano.
O ciclo abre a 1 de abril, às 19h00, com La ragazza con la valigia, de Valerio Zurlini, e contará com a presença de Claudia Squitieri, filha da atriz. No dia seguinte será apresentado O Último Padrinho, de Pasquale Squitieri, numa evocação também do realizador e argumentista que foi companheiro de vida de Cardinale.

Entre os filmes programados encontram-se clássicos incontornáveis como Gangsters Falhados, de Mario Monicelli, Fellini 8½, de Federico Fellini, O Leopardo e Estrelas Vagas de Ursa Sandra, de Luchino Visconti, A Pantera Cor de Rosa, de Blake Edwards, Os Profissionais, de Richard Brooks, Fitzcarraldo, de Werner Herzog, e ainda O Gebo e a Sombra, de Manoel de Oliveira, que assinala o encontro tardio da atriz com o cinema português.
Antes do arranque oficial, a programação estende-se às já habituais AperiFestas, iniciativas que cruzam cinema, música e gastronomia. O calendário inclui encontros informais, sessões especiais e uma antestreia no Cinema Fernando Lopes, onde será exibido O Último Padrinho, inspirado na figura de Matteo Messina Denaro, histórico líder da Cosa Nostra.

Após Lisboa, a Festa do Cinema Italiano passa por cidades como Setúbal, Coimbra, Aveiro, Lagos e Évora, entre muitas outras, consolidando uma rede cultural que aproxima o público português do cinema italiano contemporâneo e clássico.
A imagem oficial da edição de 2026 foi criada pela artista e bióloga marinha Ana Pêgo, fundadora do projeto Plasticus Maritimus. A obra recria o retrato de uma mulher siciliana numa evocação simbólica de Claudia Cardinale e do imaginário da Sicília, estabelecendo um diálogo entre memória cinematográfica e consciência ambiental.
Organizada pela Associação Il Sorpasso, entidade fundada em 2008 e dedicada à promoção da cultura cinematográfica europeia, a Festa do Cinema Italiano conta com o apoio institucional da Embaixada de Itália, do Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, da Câmara Municipal de Lisboa e do Instituto do Cinema e do Audiovisual, entre vários parceiros públicos e privados. Ao longo de quase duas décadas, o festival afirmou-se como uma das principais plataformas de divulgação do cinema europeu em Portugal, combinando programação de autor, grandes clássicos e uma forte aposta na proximidade com o público.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

