46.ª edição do Fantasporto arranca esta sexta-feira no Porto
A 46.ª edição do Fantasporto inicia-se esta sexta-feira, reforçando o seu estatuto como um dos mais relevantes festivais internacionais dedicados ao cinema fantástico e de autor.
A sessão de abertura apresenta a superprodução japonesa “Suzuki=Bakudan”, já com mais de 20 milhões de ienes de receita no Japão, um thriller impactante que evidencia como um único indivíduo pode provocar danos profundos numa sociedade com milhões de habitantes.
O encerramento ficará a cargo do inesperado filme finlandês “After Us, The Flood”, uma reflexão inquietante sobre o presente e o futuro: através de uma máquina do tempo, a narrativa regressa ao passado para tentar corrigir decisões desastrosas tomadas na atualidade.
Um festival com reconhecimento internacional
Mantendo a linha que lhe garantiu reconhecimento além-fronteiras, o Fantasporto continua, em 2026, a afirmar-se como montra privilegiada do cinema mundial.
Foram submetidos filmes provenientes de 73 países, num total superior a mil obras entre curtas e longas-metragens. Após um exigente processo de seleção, 29 países integram a programação final, distribuída por secções competitivas e não competitivas.
A edição deste ano confirma o festival como espaço de descoberta e lançamento de novos talentos, com dezenas de primeiras obras e 31 antestreias mundiais, internacionais e europeias, evidenciando a confiança da indústria cinematográfica internacional no evento.
Primeiros convidados internacionais
Entre os convidados confirmados destacam-se realizadores, produtores e profissionais da indústria oriundos de vários continentes, como:
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Siimon Rumley (Reino Unido)
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Eiji Uichida (Japão)
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Meekaaeel Adam e James Williamson (África do Sul)
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Vassilis Mazomenos (Grécia)
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Alkan Avcioglu (Turquia)
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Shinjy Sakoda (Japão)
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Richard Eames (Austrália)
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Tara Illenberger (Filipinas)
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Keisuke Toyoshima (Japão)
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Paul Urkijo (Espanha)
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Julian Richards (Reino Unido)
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Elisabeth O. Sjaastad (Noruega)
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Nina Knag (Noruega)
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Drew Casson (Reino Unido)
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Wu Jian e Yu Xiaming (China)
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Kenichi Ugana (Japão)
Outros convidados juntar-se-ão ao longo do festival.
Competições oficiais: os grandes temas do presente e do futuro
Os filmes em competição estabelecem inevitáveis paralelismos com as convulsões geopolíticas e sociais da atualidade. Entre os temas dominantes surgem a guerra e a Inteligência Artificial, refletindo preocupações globais contemporâneas.
Em “Post Truth”, de Alkan Avcioglu, surge um contundente alerta sobre a influência do digital no quotidiano. O filme explora a era dos algoritmos, a manipulação da informação e a sobrecarga de imagens que condicionam escolhas e perceções da verdade.
Recorde-se que o festival dedicou a edição de 2025 à Inteligência Artificial, através das conferências Movie Talks, que regressam em 2026 para debater as transformações no modo de fazer cinema perante os avanços tecnológicos.
Ficção científica: visões inquietantes do amanhã
A ficção científica ocupa um lugar central na programação.
Em “Futuro, Futuro”, do brasileiro Davi Pretto, desenha-se uma sociedade marcada por profundas divisões de classe. Já o chinês “Journey To No End” imagina um mundo onde, aos 40 anos, os cidadãos são obrigados a integrar um universo virtual para combater a solidão.
O australiano “Skeleton Girls, a Kidnapped Society”, primeira longa-metragem de Richard Eames, aborda especulação imobiliária, media abusivos e desespero urbano num registo punk thriller.
Também “Wild Nights, Tamed Beasts” e o japonês “IAI” refletem sobre o envelhecimento da população e a necessidade crescente de cuidados.
A influência das redes sociais e dos reality shows é retratada em “#Iwilltellyouthetruth”, de Keisuke Toyoshima, que evidencia a pressão sobre os jovens para alcançar notoriedade digital. O já referido “After Us, The Flood” reforça a dimensão de alerta ecológico e social.
Reflexões sobre guerras e memórias
“Sisa”, de Robles Lana, retrata o drama vivido nas Filipinas durante a ocupação americana, sucedendo ao período colonial espanhol, explorando a resistência e a identidade nacional.
Já “Papa Buka”, do realizador indiano Dr. Biju Damodaran, conduz o espectador à Papua Nova Guiné, onde os vestígios de uma guerra distante revelam sofrimento, memória ancestral, cultura tribal e biodiversidade. O filme foi candidato aos Óscares.
Cinema do mundo: migrações e identidade
O fenómeno das migrações e o choque cultural são centrais em “Don’t Call Me Mama”, primeira longa da norueguesa Nina Knag, que acompanha o dilema de uma mulher dividida entre valores pessoais e o desejo de ajudar deslocados.
Também da Noruega chega “What Will People Say”, focado no conflito entre tradição e integração ocidental numa família paquistanesa conservadora.
Da África do Sul, “The Trek” revisita o espírito do western num contexto de confronto civilizacional. A Grécia apresenta “Endless Land”, de Vassilis Mazomenos, uma elegia visual sobre memória e exílio.
O cinema filipino destaca-se com “Lopsided (Tigkiliwi)”, narrativa de ternura e resiliência comunitária.
Fantástico e horror: entre tradição e reinvenção
O cinema fantástico regressa com propostas diversas.
Produções argentinas como “The Dollmaker” e “Retratos do Apocalipsis” reinventam o horror. Da Austrália chega “Lenore”, reflexão sobre solidão digital.
Entre os títulos de terror e suspense encontram-se:
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“Hellbilly Hollow”
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“Scared to Death”
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“Don’t Leave the Kids Alone”
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“The Curse”
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“The Whisper (El Susurro)”
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“Crushed”
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“The Haven”
Portugal marca presença com “Cativos”, de Luís Alves, em competição na Semana dos Realizadores e no Prémio de Cinema Português.
Espanha em destaque
O cinema espanhol confirma a sua força no panorama fantástico europeu com:
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“Gaua”, uma das mais marcantes histórias recentes de feitiçaria no cinema.
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“Under Your Feet (Bajo Tus Pies)”, releitura contemporânea de Hansel e Gretel.
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“Luger”, produção catalã de elevada qualidade narrativa e estética.
Destaque ainda para a Retrospectiva de Curtas Galegas, em colaboração com o Festival Curtas do Imaxinario, todas em antestreia nacional.
Curtas-metragens: o fantástico em formato breve
A Competição de Curtas de Cinema Fantástico obrigou à criação de três sessões distintas, dada a elevada qualidade e diversidade técnica — da animação clássica à criação digital.
Participam obras oriundas de França, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Irlanda, China, Estados Unidos, Malásia, Brasil, Taiwan e Irão, abordando temas que vão do terror clássico às distopias futuristas, passando por conflitos escolares, espíritos rurais, vinganças e ficção espacial.
O programa integra ainda nove obras norueguesas, novas séries televisivas, dezenas de curtas-metragens e iniciativas paralelas como o SUMMIT e as Movie Talks, de acesso gratuito, no Batalha.
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Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.


