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Cinema: Crítica – Mata-te Amor

A partir da obra de Ariana Harwicz, Mata-te Amor é um dos grandes filmes da temporada, protagonizado por Jennifer Lawrence e Robert Pattinson, com actuações fortes.

É curioso como alguns filmes simplesmente acontecem devido a um conjunto de acontecimentos. Em 2020, Martin Scorsese leu no seu clube literário a obra Mata-te, Amor, da autora argentina Ariana Harwicz. Este, enviou o livro para a produtora Excellent Cadaver, gerida por Jennifer Lawrence e Justine Ciarrochi, que também produziu Tudo na Boa!, também protagonizado por Lawrence. A partir daí, os dominós foram caindo para a concretização da adaptação do filme, realizado por Lynne Ramsay que chega ao grande ecrã.

Seguimos a vida de Grace (Lawrence) e Jackson (Robert Pattinson), um casal apaixonado, que se muda para casa do tio falecido de Jackson, para recomeçarem a sua nova vida em Montana. No meio deste amor louco, Grace acaba grávida e dá vida a um bébe. A sua vida acaba por se tornar frustrante, e com Jackson em viagem constante, Grace sente-se aborrecida, sozinha e abandonada, entrando numa espiral emocional.

Estamos perante um filme que nos leva numa viagem dura, ao sermos meras testemunhas à vida de uma mulher que sofre de depressão pós-parto, ao tentar reencontrar-se após a nascença do seu filho, ao mesmo tempo que gere um parceiro ausente, da qual ela suspeita ter casos com outras mulheres durante as suas viagens, tornando tudo numa grande bola de neve e não parece parar.

Durante duas horas, vemos a vida separada e conjunta de duas personagens que prosperam no caos, por mais violento que este seja, de uma forma disfuncional, onde a sobrevivência emocional é exigida meramente por terem um ser humano pequeno em conjunto. A abordagem da temática sobre as mazelas da maternidade acabam por se inserir num filme que parece um sonho ou uma espécie de uma fábula cruel, desenhada para chocar os espectadores sobre os mitos românticos nas relações.

Jennifer Lawrence entrega uma actuação crua e brilhante, ao vermos a sua descendência para um estado que cruza entre ser comicamente politicamente incorrecta e ser explosiva com demonstrações voláteis aterradoras para qualquer ser humano. No outro lado da moeda, Robert Pattinson também acaba por encarnar a sua personagem de uma forma onde demonstra uma confusão genuína e uma cumplicidade silenciosa à situação de Grace.

Ramsey apresenta-nos um pesadelo imersivo, dando-nos uma visão directa da mente distorcida de Grace e como o mundo em redor reage às suas acções. É uma realização carregada de emoções fortes e intensas, acabando por fazer parte da grande mensagem, desenhada dentro do que é o drama psicológico.

Assim, Mata-te Amor é um filme forte, deixando-nos a viver o caos em conjunto com estas personagens, numa história que não nos permite respirar nem por um segundo, agarrando-nos a atenção em todos os segundos, até ao final se dissipar.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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