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5º Encontros do Cinema Português

No passado dia 14 de Outubro, decorreu o 5º Encontros do Cinema Português. Organizado pela NOS e pelo ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual), este é um encontro que pretende dar visibilidade a novos projectos cinematográficos portugueses e discutir os problemas que o sector enfrenta. Sem esquecer todos os cuidados de segurança e higiene, o evento reuniu vários profissionais da área no Cinema NOS Alvaláxia, mostrando que uma ida ao cinema pode ser segura mesmo em tempo de pandemia.

Com o lema “O cinemas português é muito mais do que vemos (…) O cinema português é emoção”, a edição deste ano teve como missão explorar formas de fazer crescer o cinema português, mostrar o que tem sido desenvolvido no nosso país e discutir o impacto da COVID-19 na indústria cinematográfica. 

Para tal, após a apresentação dos projectos decorreu um debate com o tema “O Impacto do Covid-19 na Indústria Cinematográfica e particularmente no Cinema Português”. Moderado pelo crítico Rui Tendinha, o debate teve como oradores Fernando Vendrell (Produtor e Realizador), Gonçalo Reis (Presidente Administrativo da RTP), Luís Chaby (Presidente do ICA), Nuno Aguiar (Director da NOS Cinemas), Paulo Santos (Diretor Geral GEDIP/FEVIP) e Susanna Barbato (Directora da NOS Audiovisuais). 

Numa primeira instância, falou-se das problemáticas que a pandemia provoca. Redução de equipas, o medo que alguém fique contaminado e a produção tenha de parar, a modificação do mercado, a redução da capacidade das salas de cinema, e, claro, a dificuldade de fazer programação quando existem poucas estreias e os espectadores precisam de um maior incentivo para ir às salas. A pandemia veio estragar o crescimento do cinema atingido em Portugal durante o ano de 2019 e pôs ainda mais a descoberto as dificuldades do sector. 

Ao contrário de Espanha, França ou Itália, Portugal foi incapaz de colocar filmes nacionais no top 10 no período pós confinamento. Contudo, não foi por falta de produto português. Qual é a conclusão a que os oradores chegam? O  nosso público depende muito do cinema estrangeiro, principalmente o cinema norte-americano. Segundo Susanna Barbato, o público português gosta de Disney, acção e super-heróis. Por isso mesmo, torna-se difícil fazer a programação das salas de cinema quando se tem de escolher entre um filme que vende e um filme nacional. 

Neste 5o Encontros do Cinema Português, foram apresentados 33 novos projectos. Menos 9 projectos que o ano passado. Contudo, não deixa de ser um número relevante face ao contexto em que vivemos. Neste grupo de novos projecto inserem-se filmes em diferentes fases de trabalho: pré-produção, produção, pós-produção ou que ainda procuram distribuição.  .

Mostrando que o vídeo de apresentação fala verdade, o público português poderá esperar  dramas, thrillers, comédias, documentários, cinema de animação e música. Vamos conhecer novos realizadores como Cláudia Ribeiro, Simão Cayatte, Tiago Durão, Hermano Moreira ou Frederico Serpa; vamos poder ver trabalhos de realizadores já nossos conhecidos como Vicente Alves do Ó, Sérgio Graciano ou Leonel Vieira; vamos revisitar a obra de Paulo Rocha através do documentário A Távola de Rocha, realizado por Samuel G. Barbosa. E ainda vamos poder assistir a um filme-concerto único dos Capitão Fausto, realizado por Ricardo Oliveira

De facto, é impossível não colocar a questão: com tantos projectos à procura de distribuição, como é que em cerca de 70 estreias a acontecer até ao final de 2020 apenas duas são portuguesas? É certo que muitos apenas estão previstos estar prontos em 2021 e alguns em 2022. Mas filmes como A Metamorfose dos Pássaros de Catarina Vasconcelos, Entre Leiras de Cláudia Ribeiro ou A Arte de Morrer Longe de Júlio Alves já tiveram estreia no IndieLisboa.  

Chegou-se mesmo a falar na pandemia como presente envenenado. Se por um lado há espaço no mercado para introduzir projectos portugueses, por outro é preciso conteúdo que consiga vender mais bilhetes. 

Como seria de esperar, as questões que assolam o sector do cinema em Portugal tiraram todo o protagonismo à pandemia. Respostas foram poucas, ideias foram muitas. Um lado puxa pela consciencialização do cinema como (puro) entretenimento, outro puxa para um  cinema livre e independente, e  outro puxa ainda para uma ideia de qualidade acima de números em que o cinema é plural e diversificado. 

Ainda assim, houve algo que ficou claro. É preciso deixar de andar às turras, passo a expressão, com ideias que se têm vindo a arrastar ao longos dos anos. Há que dar um passo em frente e dialogar no sentido de arranjar forma de despertar mais portugueses sem afectar a paixão de fazer cinema.

 

Estreias 2020:

Listen de Ana Rocha de Sousa (22 de Outubro)

Nheengatu – A Língua da Amazônia de José Barahona (22 de Outubro, DocLisboa) 

Capitão Fausto em Sol Posto de Ricardo Oliveira (11 de Novembro às 21h30)

Bem Bom de Patrícia Sequeira (25 de Novembro)

 

Alguns projectos novos não mencionados acima:

O Som que Desce na Terra de Sérgio Graciano 

Dimensão S – com Peso e Medida de Nuno Vieira

Noyola de José Miguel Ribeiro

O Último Animal de Leonel Vieira

Amadeo de Vicente Alves do Ó

Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente de Tiago Durão 

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